«Era o que faltava». Passos Coelho recusa entrar em críticas circulares sobre quem poderia ou não ter escolhido para comissário europeu. A sua decisão recaiu sobre Carlos Moedas e fez questão de frisá-lo esta sexta-feira.

«Felizmente Portugal tem várias pessoas com qualidades e competências suficientes para desempenhar cargos internacionais, mas eu escolhi o engenheiro Carlos Moedas, e creio que não preciso de justificar esta escolha, pondo defeitos em todas as outras pessoas que poderiam ter gostado de desempenhar essas funções», afirmou o primeiro-ministro.

«Era o que faltava eu agora tivesse de criticar fosse quem fosse pelo facto de eu ter feito uma escolha que foi o engenheiro Carlos Moedas», reforçou.

E, resumiu, a escolha da União Europeia revelou-se «muito acertada», sendo que o PM «nenhuma outra pessoa».

O ex-secretário de Estado Carlos Moedas ficou com o pelouro da Investigação, Ciência e Inovação. Já há dois dias, Passos Coelho tinha-se congratulado pela atribuição dessa pasta, dizendo que «é uma excelente notícia».

Recorde-se que a escolha do primeiro-ministro foi bastante contestada pelos partidos da oposição, que alegaram a falta de perfil de Carlos Moedas para a pasta que lhe foi atribuída.

Há três anos a ocupar o cargo de secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas foi um dos protagonistas nas negociações com a troika.

Agora comissário europeu, é o segundo mais novo entre os novos comissários e terá, como todos os outros, de passar por alguns testes. A nova «Comissão Juncker», terão de terá audições no Parlamento Europeu, em Bruxelas, entre 29 de setembro e 7 de outubro. De qualquer modo, só na próxima semana é que será definido o calendário dos «exames».

Passos Coelho olhou ainda para o caso de Espanha: «Também considero muito positivo que a pasta do Clima e da Energia tivesse sido atribuída ao comissário espanhol. Acho que entre Portugal e Espanha dificilmente teríamos conseguido um resultado mais positivo do que este».

O primeiro-ministro mostrou-se convicto de que estes comissários «não estarão a olhar para a situação de Portugal ou de Espanha», mas, conhecendo bem a realidade dos dois países, «darão um incentivo muito grande» para a concretização das «interligações de gás e eletricidade que a Península Ibérica precisa de ter para o resto do continente europeu».