O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, revelou que chegou a altura de «olhar com uma redobrada atenção para as políticas sociais» porque «não é indiferente» para a economia «ter um tecido social mais coeso».

De acordo com o governante, essa é «uma das condições para uma economia mais dinâmica, com mais crescimento e inovação, com mais e melhores empregos», bem como para alcançar uma democracia mais «madura e mais robusta¿.

«Agora chegou o tempo de sararmos as feridas abertas por tudo aquilo por que passámos. Agora poderemos olhar com uma redobrada atenção para as políticas sociais e para atacar as causas mais profundas destes nossos problemas coletivos», afirmou Passos Coelho, na sessão de encerramento do V Congresso «Solidariedade - Novos Caminhos, Valores de Sempre», da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).

O primeiro-ministro, que não quis prestar declarações aos jornalistas, justificou no discurso que «a prioridade política do Governo» foi «proteger o país das consequências catastróficas» da ausência de «determinação» de «travar o colapso financeiro» e que tal esforço impediu um segundo resgate.

«Se nos tivéssemos deixado seduzir pelo canto dos incumprimentos do Programa [de Assistência Financeira], de adiar as decisões difíceis, teríamos um segundo resgate que nos teria precisamente retirado os recursos para a despesa social», sublinhou.

Notando que o país está já «num momento de crescimento da economia» e com o desemprego «em queda consecutiva há um ano», Passos Coelho admitiu que «as famílias portuguesas enfrentam ainda grandes dificuldades».

«A angústia de todos os meses tentar reunir o dinheiro suficiente para fazer face a necessidades básicas é ainda o drama de demasiados portugueses. A pobreza e a exclusão continuam a afetar muita gente. São grandes desafios que precisam de respostas persistentes e consistentes por parte do Governo e de todos os agentes envolvidos», destacou.

Para o primeiro-ministro, esta matéria diz «respeito a todos os portugueses», porque todos eles «têm um compromisso com uma sociedade mais justa e menos desigual».

«É numa sociedade mais justa, com mais mobilidade social, com menos desigualdades, com mais oportunidades, que todos queremos viver», observou.

Passos Coelho notou ainda que «hoje é mais claro que, nas medidas mais difíceis», o Governo fez o «absolutamente indispensável para escapar à insolvência nacional e salvar o Estado social».

«É importante que saibamos com mais rigor aquilo que, em todo este período, foi feito pela coesão social, pela resposta à carência material e pela sustentabilidade do Estado Social», destacou.

O primeiro-ministro alertou que, atualmente, «a despesa social do Estado é maior do que era antes do [programa de] ajustamento».

«Esta indicação é muito importante, não só porque demonstra que muitos dos que condenaram um suposto ataque ao Estado social são desmentidos pelos factos. Mais do que isso, demonstra que mesmo num momento de gravíssima emergência financeira, mobilizámos recursos como nunca dantes tinham sido mobilizados para fazer face às necessidades», frisou.

Admitindo que se diga que, «em parte», esse aumento «se deve ao simples facto de terem crescido as necessidades sociais, como o aumento do desemprego», Passos Coelho preferiu destacar que, perante um aumento das necessidades, «os recursos para lhes fazer face também aumentaram».