Por: Redacção | 3- 2- 2012 20: 54
O primeiro-ministro, Passos Coelho, remeteu esta sexta-feira para a análise do Parlamento a sua eventual ida à comissão
de Assuntos Constitucionais para prestar esclarecimentos sobre o funcionamento dos serviços secretos, afirmando não querer
«alimentar essa polémica».
«Não vou sequer alimentar essa polémica, isso é uma matéria que será analisada dentro
do Parlamento», afirmou Passos Coelho aos jornalistas, segundo cita a Lusa, depois de questionado sobre se será obrigado a
ir à comissão de Assuntos Constitucionais prestar esclarecimentos.
O PCP pediu potestativamente a presença de Passos
Coelho na primeira comissão porque é o único membro do Governo que tutela os serviços de informações, tendo recorrido a uma
possibilidade regimental nunca antes exercida pelos deputados.
«Não quero pronunciar-me sobre essa matéria nesta
altura. Ainda hoje estive no Parlamento num debate quinzenal, houve deputados que me colocaram as questões que entenderam
sobre essa matéria. Não falo sobre qualquer outra especulação, qualquer outra intenção», afirmou Passos Coelho.
De
acordo com o PCP estão em causa «factos da maior gravidade», que «põem em causa idoneidade destes serviços, o seu funcionamento»,
nomeadamente «claros indícios de promiscuidade» com um grupo privado para onde o antigo dirigente Jorge Silva Carvalho foi
trabalhar, e o acesso aos registos telefónicos do antigo jornalista do Público e actual director adjunto da Agência Lusa Nuno
Simas, «que configura um ilícito criminal da maior gravidade».
«Para mais, nos últimos dias foi noticiado que Jorge
Silva Carvalho detinha ainda registos, fichas, sobre milhares de pessoas que levou dos serviços de informações e que usará
de forma pessoal ou, pelo menos, ao serviço do grupo privado que entretanto integrou. E que para além disso, e mesmo assim,
teria sido convidado pelo actual Governo para apresentar propostas de reestruturação do serviços e, eventualmente, até para
os dirigir», afirmou na quarta-feira o líder da bancada do PCP, Bernardino Soares.
Segundo o PCP, «a Assembleia da
República viu-se impedida de apurar responsabilidades políticas nesta matéria por dificuldades decorrentes do regime do segredo
de Estado e também porque o primeiro-ministro se recusou a fornecer à Assembleia da República os elementos relativos a um
inquérito que solicitou acerca desta situação».
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