O primeiro-ministro não tem dúvidas de que os jovens têm hoje mais oportunidades pelas frente, em Portugal. Foi no debate quinzenal, na Assembleia da República, que Passos Coelho manifestou otimismo, contrariando o pessimismo da oposição e dos números revelados pelo INE na segunda-feira, dando conta que a taxa de desemprego entre os jovens era de 35% em fevereiro:

«Os jovens têm hoje mais oportunidades do que há um ano atrás e mais do que tinham há dois anos atrás»


O chefe de Governo respondia a Catarina Martins que tinha perguntado «como é que um jovem vai poder viver neste país?», quando existem «cofres cheios» só para «borlas fiscais» e não para o seu futuro. Estava a dar o exemplo do caso BES/Novo Banco.

Passos Coelho admitiu que os números mostram que o desemprego afeta ainda muito os jovens em Portugal:

«Não consigo de modo nenhum contestar - nem quero contestar, que temos um nível de desemprego muito elevado, nomeadamente entre os jovens, mas quer do nível da preparação de base, desde logo tecnológfica e curricular que têm (...) e com investimento a recuperar, efetivamente terão uma oportunidade melhor para futuro»

O chefe de Governo continuou a insistir que o crescimento da economia está a materializar-se e que o país vai chegar ao final do ano com a meta mais do que cumprida (1,5% é o mínimo previsto) e com oportunidades «mais efetivas para os jovens».

«Hoje é dia das mentiras, mas não abuse»

Heloísa Apolónia, d'Os Verdes acusou depois Passos de «desvirtuar» a realidade dos jovens emigrantes portugueses.

«O senhor não quer encarar a realidade, mas não goze, nem minta. Hoje é dia das mentiras, mas não abuse»

Outros temas do debate

O primeiro-ministro considerou que a existência da lista VIP é «grave» e prometeu atuar, insistindo, no entanto, que o Governo não deu instruções ou qualquer tipo de «conforto» para que ela fosse criada.

Quanto aos números do desemprego (a taxa aumentou para 14,1% em fevereiro), recusou que  causem «embaraço» no Governo e deu um puxão de orelhas ao INE, por não ter fundamentado, ainda, a revisão em alta. 

Um episódio que marcou o primeiro debate parlamentar de abril foi o comentário de Passos Coelho quando foi interrompido por João Galamba, ao questionar  quem era o «deputado excitado» que estava a falar a partir das bancadas, sem ser a sua vez. 

Este confronto político surgiu no dia em que  António Costa anunciou oficialmente a sua saída da câmara de Lisboa para se dedicar, em exclusivo, ao PS e à corrida para as legislativas. Este assunto foi abordado, logo à cabeça, pelo primeiro-ministro,  com ironia, e deu azo a uma  resposta pronta do líder parlamentar socialista, Ferro Rodrigues.