O presidente do PSD disse sexta-feira à noite, em Castelo Branco, que a União Europeia (UE), tem um «défice muito grande» de «transformações e de mudanças estruturais que têm de ser feitas». Pedro Passos Coelho sublinhou que «alguns acham que, como isso acontece, devíamos aproveitar essa oportunidade para sermos menos exigentes, para adiarmos algumas reformas, para não baixar o défice».

«Ora, é bom dizer que a crise na Europa não passará, enquanto os outros países que têm perdido oportunidades, não fizerem as reformas que nós fizemos», sustentou.

De acordo com a Lusa, o líder do PSD, que falava durante a tomada de posse dos órgãos da Comissão Distrital de Castelo Branco, acrescentou que não quer dizer que todos têm que ser sujeitos ao mesmo tratamento. Mas Passos Coelho considerou ser benéfico para todos, «que essas reformas sejam feitas da mesma maneira que um dia, se a Espanha, a Grécia, Portugal e a Irlanda não as fizessem, poderia haver um risco e a zona euro podia afundar-se na recessão».

«Acho que agora podemos dizer aos outros, façam o que nós fizemos para que não nos venham a prejudicar na expetativa que nós temos, em ter uma UE mais forte e a crescer sustentadamente», afirmou. O social-democrata admitiu, no entanto, que «devemos ser práticos«, pois «não somos nós que vamos fazer as reformas dos outros países». «Portanto, devemos confiar nessa solidariedade europeia, porque a solidariedade não é só dinheiro, é também que cada um assuma as suas responsabilidades, solidariamente», adiantou.

Passos Coelho admitiu que as expetativas de crescimento nos próximos tempos, «não são ao nível que nós precisaríamos para que a nossa recuperação fosse mais forte». Nesse sentido, disse ser importante «continuar a manter uma estratégia clara de voltar a forçar, não um estatuto periférico na Europa de Portugal, mas uma centralidade de Portugal, marcada entre a Europa, os Estados Unidos da América, o México, o Canadá e a América do Sul». «O mundo está a crescer de uma forma muito intensa nessas regiões e nós também precisamos crescer a esse ritmo», sublinhou.

O presidente do PSD realçou que faz parte da obrigação do Estado e do Governo «garantir que a nossa política externa esteja ao serviço do nosso interesse estratégico». «Somos europeus, desejamos que a Europa se reforme, se fortaleça porque isso nos ajuda também a crescer, mas não podemos deixar de olhar para os mercados que estão fora da Europa», alertou.