Notícia atualizada às 14:46

O primeiro-ministro considerou esta sexta-feira, em Bruxelas, que a União Europeia «tem dado uma resposta bastante firme e unânime» à situação na Ucrânia, apoiando Kiev e condenando a anexação da Crimeia pela Rússia.

Falando no final de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE, dominada pela resposta europeia a Moscovo, Passos Coelho insistiu que o principal objetivo da Europa «continua a ser o apaziguamento desta crise» e «garantir condições para uma situação negociada», mas reagindo de forma intransigente a violações do direito internacional.

Segundo Passos Coelho, a revisão de fronteiras através do uso da força será sempre rejeitada e combatida pela União Europeia, razão para o reforço das sanções contra a Rússia acordado na última noite pelos líderes europeus.

«Essa é uma Europa que não queremos que volte a existir, e que combateremos», disse.

Por outro lado, apontou, a assinatura, hoje mesmo, de «toda a parte política do novo acordo de associação» entre UE e Ucrânia é também «um sinal muito claro de que a UE prestará à Ucrânia todo o apoio que for necessário para manter a integridade da Ucrânia e a sua coesão interna».

No primeiro dia de trabalhos do Conselho Europeu, os chefes de Estado e de Governo da União Europeia decidiram reforçar as sanções contra a Rússia devido à anexação da Crimeia, acrescentando 12 nomes à lista de pessoas alvo de sanções e cancelar a próxima cimeira UE-Rússia, prevista para junho, além das cimeiras bilaterais entre Estados-membros e Rússia.

Passos Coelho comentou que o pacote de sanções não devem ser vistas «como o princípio de uma espécie de corte de relações com a Rússia», mas como «o princípio de uma conversa» que a Europa deseja que se possa estabelecer «e uma espécie de convite a que essa conversa venha a ter lugar».

«Se tal não acontecer, cá nos encontraremos para determinar que outro tipo de decisões é que poderão ser adotadas», salientou.

O primeiro-ministro afirmou ainda que a União Europeia está «claramente apostada» em diminuir a sua dependência do gás russo e que o aumento das interconexões energéticas, especialmente em Portugal e Espanha, é uma prioridade.

Passos Coelho adiantou que, apesar de esta cimeira não ter prevista a fixação de metas em relação à redução de emissões, Portugal é um dos países que quer mais ambição e que defende a concretização de um compromisso para novos valores até 2030, já que os atuais são até 2020.

Já sobre as interconexões energéticas, o primeiro-ministro considerou-as essenciais para «criar um verdadeiro mercado interno de energia e garantir a qualidade e a segurança das fontes de abastecimento do mercado europeu».

Segundo Passos, até pela situação na Ucrânia e pela «dependência muito elevada do gás russo», estas ligações são «absolutamente cruciais e uma falha básica do mercado interno de energia» europeu, que «limita muito as opções e políticas».

«Obtivemos uma declaração bastante forte do Conselho Europeu, no sentido de cumprir até 2015 o objetivo de que nenhum Estado-membro possa permanecer como uma ilha energética. Portugal e Espanha têm um nível de interconexão inferior a 2% de toda a energia gerada e produzida e poderemos vir a ter uma resposta muito importante do lado de Espanha e Portugal, quer do corredor mediterrânico, para assegurar uma maior diversificação», afirmou.

Pedro Passos Coelho apontou ainda como «uma das medidas mais emblemáticas, com consequências importantes para o médio prazo», a diminuição da dependência do gás russo e o investimento nas interligações nesta área energética para «nos anos mais imediatos se libertar da dependência excessiva que hoje tem da Rússia».