O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apresentou o programa do XX Governo Constitucional no Parlamento num discurso marcado pelas críticas ao acordo à esquerda. Com a anunciada queda do Executivo, Passos Coelho cumpriu esta segunda-feira uma mera formalidade. Mas não sem deixar farpas ao PS e à aliança dos socialistas com BE e PCP. O líder da coligação PSD/CDS-PP sublinhou a sua "apreensão" no arranque da legislatura, sublinhando que rejeita uma "política negativa de ruína" do país.

"Não ignoro que o começo desta nova legislatura está marcado por algumas decisões que rompem com algumas convenções parlamentares de 40 anos de democracia. Não escondo a apreensão com que olho para as novas convenções que outros partidos querem trazer."


O chefe do Governo vincou que o seu programa “tem uma identidade própria” e que “trocar de programa” seria “desrespeitar" os que escolheram a coligação para governar o país, numa alusão ao falhanço das negociações com António Costa. Assim, Passos justificou, na Assembleia da República, as razões pelas quais PSD e CDS não incluíram propostas do PS no seu programa, sublinhando que o programa do atual Governo é "fiel" às expetativas dos portugueses.

“Apresento hoje perante o Parlamento o programa de Governo, que tem uma identidade política própria, que emerge do sufrágio de 4 de outubro e do respeito popular que o programa recolheu. [...] Trocar de programa seria defraudar e desrespeitar todos os que nos escolheram para governar o pais.”


Defendendo o programa do Governo e atacando o acordo à esquerda, Passos lembrou o trabalho do Executivo que liderou na última legislatura, frisando que uma política de "radicalismos"  teria "colocado em risco" a recuperação do país. 

Sublinhou o espírito "resiliente", "realista" e de "moderação" dos portugueses ao longo dos últimos quatro anos, vincando que outros países "falharam nos seus propósitos" por, precisamente, não demonstrarem essas capacidades.

"Hoje sabemos que outros países colocados nos mesmos desafios falharam nos seus propósitos porque não conseguiram esse espírito resiliente, realista e de moderação." 


Passos destacou a necessidade de cumprir os compromissos do país no quadro europeu e rejeitou participar em políticas "negativas" de "ruína" do país, que usam os portugueses como "meros instrumentos de jogadas de poder".

"O Governo está consciente que os portugueses votaram pela estabilidade, pela responsabilidade e pelo compromisso, pela continuidade de Portugal na União Europeia e no euro, na economia social e de mercado. Tal como todos os agentes políticos, também eu assumirei as minhas responsabilidades. Assumo a responsabilidade de não colaborar com uma política negativa de ruína de Portugal em que os portugueses são vistos como meros instrumentos de jogadas de poder."