A cabeça de lista do PSD à presidência da Câmara de Lisboa admitiu hoje que o antigo presidente da autarquia Santana Lopes foi a primeira opção do partido para a capital, mas garantiu que terá uma candidatura vencedora.

Tenho de confessar que o PSD desejou, em primeiro lugar, que fosse Pedro Santana Lopes” a concorrer à autarquia, disse Teresa Leal Coelho, que falava na apresentação da sua candidatura, na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

De acordo com a candidata, “seria uma grande honra” que Santana Lopes “concorresse e ganhasse”.

Como eu vou concorrer e ganhar”, salientou.

Aquando da referência a Santana Lopes, a social-democrata equivocou-se e falou, inicialmente, no nome do líder do PSD, Pedro Passos Coelho.

Eu confundo os ex-primeiro-ministros do PSD, ainda por cima são todos Pedros”, comentou, admitindo estar “muito nervosa” com a presença “dos Pedros”.

Dirigindo-se a Passos Coelho, agradeceu a confiança depositada para esta “tarefa difícil”, não só durante a campanha eleitoral, mas também por ter tido “um antecessor de peso”, Pedro Santana Lopes.

Foi um presidente de Câmara com uma visão estratégica para Lisboa, humanista e progressista. Deixou obra em Lisboa e disso nós muito nos orgulhamos”, sublinhou.

Teresa Leal Coelho disse ser “com muito orgulho, com muita ambição e com muita vontade” que encabeça esta candidatura, que visa alterar, “de todas as formas legítimas e lícitas”, as prioridades assumidas pela atual maioria socialista no executivo.

Espero poder chegar com a minha voz (…) aos cidadãos de Lisboa para que possam ouvir as nossas propostas”, adiantou.

Falando sobre a perda de população residente, referiu que, “um dia destes, a marcha de Alfama ou da Mouraria, terão de ir treinar à Trafaria [concelho de Almada]”, já que “os moradores estão a ser expulsos”.

Esta foi, desde logo, uma das apostas elencadas pela candidata, área na qual pretende introduzir políticas para “equilibrar o mercado e colocá-lo em patamares verdadeiramente realistas e apetecíveis”.

Acrescem iniciativas nos âmbitos da ação social (como construção de creches e centros de dia), e da mobilidade, com a aposta no transporte público, que visam fixar população.

Citando Francisco Sá Carneiro, que hoje faria 83 anos, Teresa Leal Coelho sublinhou que “a política tem de estar ao serviço da sua inteira realização”.

Somos um partido que se entrega às causas e, neste momento, a minha causa é Lisboa”, vincou.

Na ocasião, que contou com atuações da tuna feminina da Universidade Lusíada, foram apresentados os 24 candidatos do PSD às Juntas de Freguesia, dos quais apenas quatro são mulheres.

Teresa de Andrade Leal Coelho, que completou 56 anos a 29 de março, nasceu em Moçambique e é licenciada em Direito pela Universidade Lusíada de Lisboa, onde leciona e pela qual tem o curso completo para doutoramento na área de jurídico-políticas.

É vereadora na Câmara de Lisboa desde 2013, depois de ter sido número dois da lista PSD/CDS-PP/MPT encabeçada por Fernando Seara.

Para a corrida autárquica na capital foram já anunciadas, além de Teresa Leal Coelho, as candidaturas da líder do CDS-PP, Assunção Cristas, do comunista João Ferreira, do bloquista Ricardo Robles, de Inês Sousa Real (PAN), do atual presidente do município, Fernando Medina (PS), de Joana Amaral Dias (Nós, Cidadãos!) e do ex-autarca socialista Carlos Teixeira (independente apoiado pelo PDR e pelo JPP).

 

Teresa Leal Coelho está em Lisboa de “corpo inteiro”

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, justificou o convite a Teresa Leal Coelho para concorrer à autarquia de Lisboa por saber que estaria "de corpo inteiro" neste desafio, e não para fazer "prova de vida".

A Teresa não está aqui a fazer outras provas, prova de vida, não está aqui para somar, averbar nada mais que não seja a oportunidade de governar Lisboa", defendeu Passos Coelho.

O líder do PSD enumerou características da candidata, como "o grande cosmopolitismo", "grande abertura a ideias novas" ou "a forma rápida e impetuosa como reage às coisas", para destacar o seu lado genuíno, por contraponto a "um fingimento e cinismo" que considera caracterizarem o atual momento político.

Passos criticou ainda a atual liderança socialista da autarquia da capital, considerando que não tem tido força política para resolver problemas que têm de ter uma intervenção do Governo, também do PS.

Não existe uma força política própria no município para tratar destes problemas", afirmou, apontando como exemplo a necessidade de reforço das infraestruturas e recursos humanos para receber os turistas crescentes.

O líder do PSD defendeu que não é possível "ter uma vez e meia a procura" de há dez anos de turistas e "ter o mesmo dispositivo para receber as pessoas", referindo-se em concreto ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Não queremos que os turistas que procuram Portugal e Lisboa estejam três horas no aeroporto", criticou, defendendo que não é possível melhorar esta situação sem pôr em causa a segurança, a não ser com reforço dos recursos humanos.

Passos Coelho fez questão de cumprimentar o ex-presidente do PSD e antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, que marcou presença, e a sua qualidade de antigo autarca da capital.

Com certeza nos traz boas memórias de um tempo em que o PSD foi realmente muito importante para o que se vivia, sonhava e podia fazer em Lisboa", afirmou.

Passos destacou também o contributo que José Eduardo Martins, candidato a presidente da Assembleia Municipal, poderá dar à candidatura, depois de o antigo deputado lhe ter feito um rasgado elogio na sua intervenção, a primeira da noite.