O secretário-geral do PS não excluiu hoje a possibilidade de a bancada socialista avançar com um inquérito parlamentar para esclarecer os rendimentos obtidos por Pedro Passos Coelho enquanto deputado PSD entre 1995 e 1999.

António José Seguro falava aos jornalistas no final do debate quinzenal, na Assembleia da República, ocasião em que salientou que nem ele, «nem nenhum português, pode estar satisfeito» com as explicações até agora dadas pelo primeiro-ministro sobre as suas atividades na segunda metade da década de 90, quando se encontrava em regime de exclusividade na Assembleia da República.

«Uma coisa é trabalhar para uma organização não-governamental (ONG) fazendo voluntariado - e isso há muitos portugueses que o fazem como compromisso cívico. Outra coisa completamente diferente é receber dinheiro dessa organização», sustentou o secretário-geral do PS.

Seguro considerou também que essa ONG a que Passos esteve ligado, o Centro Português para a Cooperação, «não era uma organização qualquer».

«Como é sabido, era uma organização financiada pela Tecnoforma. Portanto, é absolutamente indispensável que seja apurada toda a verdade e considero que a única forma de o fazer é o primeiro-ministro contribuir nesse sentido, levantando o seu sigilo bancário para que todos nós possamos saber, não a sua vida privada, mas quanto é que recebeu desse Centro Português para a Cooperação. Penso que isso resolve o problema», sustentou o líder socialista.

Neste contexto, Seguro afirmou ainda que seria importante conhecer as contas desse Centro Português para a Cooperação e advertiu que, se houver resistência ao esclarecimento do caso, o seu partido irá até ao fim para «exigir toda a verdade».

«O PS tem neste momento instrumentos para poder suscitar mais informação, designadamente na administração fiscal e na segurança social, onde é preciso saber todas as relações que envolveram o primeiro-ministro com a organização que refere. O PS não exclui nenhum instrumento constitucional à sua disposição - e como se sabe esse [o inquérito parlamentar] é um instrumento constitucional», referiu.

António José Seguro alegou ainda que a generalidade dos portugueses concorda consigo quando exige «o esclarecimento de toda a verdade».

«Em democracia ninguém está acima da lei. Todos devem respeitar a lei. Quando há elevadas responsabilidades na vida pública, como é o caso de um primeiro-ministro, essas responsabilidades são acrescidas. Quem não deve não teme», acrescentou.