A maioria PSD/CDS-PP viabilizou esta sexta-feira, pela abstenção, um projeto do PCP para que o parlamento peça ao primeiro-ministro, Passos Coelho, esclarecimentos sobre o seu registo de interesses enquanto deputado, que contou também com a abstenção do PS.

O Bloco de Esquerda e Os Verdes votaram a favor do projeto de deliberação do PCP.

No projeto hoje aprovado é pedido a Pedro Passos Coelho que esclareça porque é que, quando foi deputado, na VII Legislatura (1995-1999), não incluiu no seu registo de interesses a atividade que desenvolveu na organização Centro Português para a Cooperação e os respetivos montantes, condições e formas de pagamento das despesas de representação.

O debate quinzenal do primeiro-ministro na Assembleia da República de 26 de setembro ficou marcado pelo «caso Tecnoforma»

Nesse dia, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou no parlamento que não recebeu qualquer valor da Tecnoforma enquanto foi deputado, até 1999, e que só colaborou com esta empresa após o ano de 2001.

Passos Coelho acrescentou que fez parte de uma organização não-governamental (ONG), o Centro Português para a Cooperação, em conjunto com administradores da Tecnoforma, desenvolvendo atividades no seu entender compatíveis com as funções de deputado em exclusividade e admitiu que tenha, nesse âmbito, apresentado despesas de representação - não precisando entre que datas, nem em que valores. Passos Coelho esclareceu ainda que, ao contrário do que foi adiantado na comunicação social, não teve qualquer cartão de crédito.

E antes de prestar estas informações, o chefe do executivo PSD/CDS-PP citou o despacho de arquivamento da Procuradoria-Geral da República do inquérito relativo à denúncia anónima de que teria recebido pagamentos da Tecnoforma incompatíveis com o regime de exclusividade enquanto deputado.