Pagamentos da Tecnoforma ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, enquanto este era deputado, na Assembleia da República, entre 1995 e 1999, terão sido feitos no molde de «despesas de representação». A informação é avançada, esta sexta-feira, pelo jornal «Correio da Manhã», que cita fonte governamental.

De acordo com a mesma notícia, as despesas de representação não são consideradas remuneração, por isso, não têm que ser declaradas ao fisco. Ainda segundo o CM, alguns colaboradores da Tecnoforma também tinham direito a um cartão de crédito em nome da empresa.

Já o jornal diário «i» diz que teve acesso à informação fiscal de Pedro Passos Coelho e avança que entre 1996 e 1999, não foi declarado qualquer valor proveniente da Tecnoforma. Na mesma notícia lê-se, ainda, que o primeiro rendimento desta empresa só foi declarado depois de Passos Coelho ter abandonado o seu lugar como deputado.

Recorde-se que quinta-feira, ao início da noite, a Procuradoria-Geral da República arquivou o processo da denúncia anónima sobre «a eventual ligação de Pedro Passos Coelho à Tecnoforma», relativa a alegados pagamentos do dessa ao primeiro-ministro, quando este desempenhou funções de deputado em regime de exclusividade entre 1995 e 1999. Isto quer dizer que a PGR não vai investigar o caso.

Também a Tecnoforma já veio dizer que irá, durante o dia de amanhã, sexta-feira, prestar esclarecimentos. «A administração da empresa Tecnoforma - Formação e Consultoria S.A., vem pelo presente comunicado informar que na sequência das notícias avançadas nos últimos dias intituladas «Caso Tecnoforma» e nos mais diversos meios de comunicação social, irá durante o dia de amanhã e através de representante legal da CCAA, Advogados Associados, prestar os seus esclarecimentos em hora e local a designar».

Esta sexta, Pedro Passos Coelho vai estar no Parlamento, e segundo o PSD irá «responder a todas «as questões políticas» relacionadas com o caso.

Quinta-feira, o Bloco de Esquerda admitiu propor uma comissão de inquérito a à situação do primeiro-ministro quando era deputado e o secretário-geral do PS, António José Seguro, admite apoiar essa eventual comissão. O mais importante, diz o líder socialista, é que Passos Coelho «esclareça o país».

Se Passos Coelho fugiu ao fisco - caso não tenha declarado no IRS os alegados rendimentos que poderá ter recebido na Tecnoforma - e se mentiu ao Parlamento - omitindo esses rendimentos para garantir o subsídio de reintegração, incompatível com outras funções externas - é a dupla pergunta que falta responder.