O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, garantiu esta sexta-feira que sempre cumpriu as sua «obrigações legais», quando estava em regime de exclusividade como deputado na Assembleia da República.

Recorde-se que, esta semana, foi avançado por alguns órgãos de comunicação social que

o primeiro-ministro teria recebido ilegalmente pagamentos da empresa Tecnoforma, enquanto era deputado em exclusividade de funções, e que esse caso estaria a ser investigado no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).

Pedro Passos Coelho garantiu ainda que vai colaborar para esclarecer o que aconteceu, mas não se recorda se recebeu o dinheiro referido.

O primeiro-ministro defendeu também que o Parlamento deveria pronunciar-se sobre as condições em que ele próprio exerceu funções de deputado há cerca de 15 anos, quando questionado sobre alegados pagamentos que recebeu da Tecnoforma nessa altura.

«Estamos a falar de um período em que eu desempenhei funções e acho que era importante que o próprio parlamento pudesse esclarecer as condições em que esse exercício teve lugar», referiu Pedro Passos Coelho, quando perguntado se recebeu ou não pagamentos do grupo Tecnoforma enquanto desempenhou funções de deputado em exclusividade entre 1995 e 1999.

Falando à margem da celebração dos 25 anos da Fundação de Serralves, no Porto, o chefe do executivo considerou ser-lhe difícil recordar-se de todas as responsabilidades que exerceu há 15 anos ou mais.

«Não tenho presente todas as responsabilidades que desempenhei há 15 anos, 17 e 18. É-me difícil estar a detalhar circunstâncias que não me estão, nesta altura, claras, nem mesmo nas supostas denuncias que terão sido feitas», salientou.

Passos Coelho recordou que até ao momento não foi questionado pelo Ministério Público sobre esta matéria, mas assegurou que, caso venha a ser, dará a sua «total» colaboração.

«Creio que a Procuradoria-geral da República sabe que da parte do primeiro-ministro, do cidadão Pedro Passos Coelho, tem toda a colaboração para, se existir algum inquérito ou investigação, poder obter toda a minha colaboração para esclarecer qualquer coisa que seja necessário esclarecer do ponto de vista da minha vida profissional durante esses anos», garantiu.

Pedro Passos Coelho disse ter «consciência e convicção» de que cumpriu «sempre» as suas obrigações legais, enquanto cidadão.