O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, desafiou hoje o ministro da Defesa a esclarecer as afirmações de que o documento noticiado pelo Expresso seria fabricado e com objetivos políticos, considerando "desastrada e desastrosa" toda a gestão deste caso.

No final de uma visita à Associação Cultural e Recreativa de Fornelo, freguesia do concelho Fafe (Braga), ao lado do candidato do PSD/CDS Eugénio Marinho, o líder social-democrata foi questionado sobre as declarações de Azeredo Lopes, feitas no domingo à agência Lusa, nas quais admite que o noticiado relatório dos serviços de informações militares sobre o furto de armamento da base de Tancos tenha sido fabricado e que possam existir "objetivos políticos" na sua divulgação.

Quando se diz que alguma coisa é fabricada e tem propósitos políticos, a primeira interpretação é que alguém, maldosamente no espaço político está a querer criar embaraços políticos ao Governo, não vejo quem possa ser, mas cabe ao ministro esclarecer", disse.

Questionado se as palavras do ministro procuram imputar alguma responsabilidade ao PSD, Passos Coelho escusou-se a fazer essa leitura e respondeu: "Se o Governo está com essas declarações a querer responsabilizar o PSD isso será não só ridículo, mas a completa falta de senso político nesta matéria".

"Nós não fazemos insinuações ou sugestões, há responsabilidade do Governo que não está a ser tomada. O Governo tem sido desastroso e desastrado a gerir esta matéria", acusou Passos Coelho.

À Lusa, Azeredo Lopes considerou "muito peculiar" como "é que aparentemente o PSD parecia conhecer este documento falsamente apresentado como sendo das ‘secretas'" e não excluiu que existam objetivos políticos na sua divulgação.

Questionado se admite pedir uma audiência ao Presidente da República, Passos Coelho considerou que Marcelo Rebelo de Sousa tem demonstrado que "vem seguindo esta situação com muita atenção" e não é necessário sensibilizá-lo para a sua gravidade.

O líder do PSD acusou ainda o ministro da Defesa de, apesar das declarações que vai produzindo, não oferecer esclarecimentos cabais sobre o que se passou em Tancos, há mais de dois meses.

"Das duas uma, ou não os tem ou não os procurou, mas aquilo que são declarações públicas que o ministro vem fazendo sobre esta matéria ajudam a criar ainda mais dúvidas e incertezas", lamentou.

Questionado se Azeredo Lopes tem condições para se manter no cargo, Passos Coelho reiterou que essa é uma avaliação que tem de ser feita pelo primeiro-ministro, António Costa.