O PS acusou, nesta segunda-feira, o líder do PSD de se aproveitar da tragédia dos incêndios na região Centro do país na última semana, ao associar alegados suicídios a um falhanço no apoio do Estado.

Surpreendentemente, aparece o dr. Passos Coelho a fazer um discurso que mais não é do que um aproveitamento emocional desta tragédia”, disse à agência Lusa a deputada do PS Júlia Rodrigues, afirmando que os socialistas estão “profundamente consternados e indignados” com o que foi dito hoje pelo líder social-democrata.

Pedro Passos Coelho disse hoje que o Estado falhou no apoio psicológico às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, adiantando ter tido conhecimento de que ocorreu um suicídio por falta de apoio.

Estamos profundamente consternados e indignados com as declarações do líder do PSD. É de uma imensa crueldade para com os familiares e amigos das vítimas de toda esta tragédia”, afirmou a deputada socialista, que pertence à comissão parlamentar de Agricultura e Mar.

Para a parlamentar do PS, esta afirmação de Passos Coelho é contraditória com a proposta do PSD para criar uma “comissão independente, com especialistas, para “avaliar o que se passou nesta tragédia”.

A concluir, Júlia Rodrigues fez um apelo “a um consenso nacional em torno do respeito, da dignidade e no apoio a todos quantos tentam retomar as suas vidas”.

Na sua conta de Facebook, a secretária-geral adjunta Ana Catarina Mendes criticou Passos Coelho por difundir “um boato com esta gravidade”.

“É inqualificável que um ex-primeiro-ministro difunda um boato com esta gravidade! Não pode valer tudo! Mais respeito pelas vítimas e pelas famílias!”, pediu Ana Catarina Mendes, que também criticou o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande e candidato do PSD às autárquicas de 1 de outubro, a fonte da informação de Passos Coelho.

Durante a visita a Castanheira de Pera, o líder do PSD afirmou ter conhecimento de pelo menos um suicídio, ocorrido na região, praticado por um familiar de pessoas que morreram no incêndio que deflagrou na semana passada em Pedrógão Grande.

Horas mais tarde, o provedor da Santa Casa João Marques admitiu o erro e que deu uma informação errada a Passos Coelho.