O primeiro-ministro criticou o PS por querer discutir «só depois das eleições» a questão da sustentabilidade das pensões públicas e afirmou não perceber porque é que haver eleições daqui a dez meses «não permite» acordo sobre matérias estruturais.

Pedro Passos Coelho afirmou que «já se perdeu demasiado tempo» sem discutir as matérias que ameaçam a sustentabilidade da Segurança Social.

«Não compreendo porque é que o PS quer discutir isto só depois das eleições», afirmou o líder do PSD, acrescentando que o facto de estarmos a dez meses das legislativas impeça que se possam tentar acordos «quanto a matérias estruturais importantes».

«Responsabilidades» do endividamento de Portugal «não vão ficar solteiras»

O primeiro-ministro afirmou hoje que as «responsabilidades» do endividamento de Portugal «não vão ficar solteiras» porque se sabe quem governou e que durante esses anos falou-se muito dos jovens mas «pensou-se pouco neles e no futuro».

«Quando eu tinha pouco mais de 30 anos a perspetiva daqueles que eram jovens não era uma perspetiva de endividamento público, nem da economia, nem de desequilíbrio nas pensões. Volvidos estes anos, volvidos anos precisos de responsabilidade que não vão ficar solteiras, com certeza, porque nós sabemos durante esse tempo quem governou», afirmou Pedro Passos Coelho, em Braga, no encerramento do Congresso da JSD que elegeu Simão Ribeiro como líder da estrutura.


Passos, que lembrou que estava nos 30 anos em 1995, no final dos dois Governos de Cavaco Silva, afirmou ainda que as lideranças têm que «atender» à realidade porque quem acreditou em fantasia ficou «elucidado» em 2011 do que elas valiam.

PM quer política de concorrência transversal

O primeiro-ministro afirmou ser necessário uma «política de concorrência transversal» à sociedade portuguesa porque as empresas privadas «não podem fazer batota» pondo em causa a sustentabilidade de outras empresas.

«As empresas privadas têm que saber quais são as regras da concorrência, não podem fazer batota, não pagar na hora devida pondo em causa a sustentabilidade de outras empresas, fazer arranjos com outras empresas que tornem o nosso acesso a bens e serviços mais caros», afirmou Pedro Passos Coelho, no discurso de encerramento do XXII congresso da Juventude Social-democrata, que decorreu este fim-de-semana em Braga.


O líder do PSD afirmou ainda que Portugal deve continuar a disciplina orçamental e de «transparência» nas contas públicas para evitar que «daqui a uns anos» o Governo não diga não saber onde errou.

Só investigação «muito boa ou excelente» será financiada

O primeiro-ministro avisou que apenas as instituições de investigação científica classificadas como «muito boas ou excelentes» pela auditoria externa que está a ser realizada vão ter financiamento.

«Recorremos a peritos internacionais (...) para fazerem a avaliação externa das nossas instituições científicas e decidimos que aquelas que não forem muito boas ou excelentes terão apenas apoio para funcionamento e que só aquelas que forem muito boas ou excelentes terão mesmo financiamento», afirmou Pedro Passos Coelho em Braga, para encerrar o XXIII congresso da JSD.

O líder do PSD, que garantiu que nenhuma instituição está «acima» daquela auditoria, justificou a opção de financiar apenas as melhores instituições com a necessidade de ter «garantias» que o dinheiro disponível será utilizado para «produzir a melhor» investigação.

«Estamos a conseguir encontrar forma de aplicar melhor o nosso dinheiro, de avaliar melhor as instituições e não há instituições que estejam acima da avaliação e todas tem que ser avaliadas, sejam laboratórios do Estado, sejam centros de referência ligados às universidades, sejam os que foram criados por outros Governos sem nunca sequer terem sido avaliados por ninguém», disse Passos Coelho.

O líder do Governo justificou a opção de atribuir financiamento apenas às melhores instituições com a necessidade de não desperdiçar recursos.

«Precisamos das melhores garantias que o dinheiro que temos vai ser bem utilizado para produzir a melhor investigação e esta deve ser realizada por aqueles que tem melhores condições para a realizar», disse.

Passos apontou ainda um destino para a investigação em Portugal.

«Essa investigação tem que estar ao serviço das empresas, de Portugal», referiu.