O primeiro-ministro disse esta segunda-feira ter a expetativa de que o conselho extraordinário de ministros da Justiça e Assuntos Internos da União Europeia possa chegar a "um entendimento voluntário" entre os países sobre os requisitos para o acolhimento de refugiados.

"Temos a expetativa que possa nesta reunião ser atingido um entendimento voluntário entre todos os países para preencher os requisitos que permitirão fazer o acolhimento dos refugiados e, ao mesmo tempo, fazê-lo de tal maneira que os países recebam com alguma proporção com aquilo que são as suas condições de receção e os refugiados que precisam de asilo", afirmou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas à saída de um almoço de pré-campanha da coligação PSD/CDS-PP.


Pois, acrescentou, caso seja possível alcançar esse "entendimento voluntário", a Comissão Europeia não precisará de impor medidas.

Sublinhando que é necessário criar condições para acolher os refugiados dentro da União Europeia "em condições de dignidade e de segurança" para eles próprios e para as comunidades que os recebem, Passos Coelho reconheceu que nem sempre isso tem acontecido.

"O fluxo anormal que se tem registado, sobretudo em direção a certos países, não tem permitido que essas condições estejam reunidas e é preciso que elas possam realmente estar reunidas para que a Europa possa ser solidária e que aqueles que fogem à guerra possam encontrar efetivamente uma resposta solidária em todos os países europeus", sustentou.


O primeiro-ministro, que disse preferir aguardar pelo final da reunião em Bruxelas para fazer mais comentários, reiterou ainda que da parte portuguesa tem existido "uma posição extremamente cooperante para ajudar a resolver esse problema", que não é apenas um problema da Europa, mas do mundo, porque se trata de "uma tragédia humanitária".

"Não são problemas que possam desaparecer de um dia para o outro", frisou.

Questionado sobre a decisão da Alemanha, Eslováquia e Áustria de impor maior controlo das suas fronteiras, o primeiro-ministro escusou-se a "comentar individualmente a posição que um ou outro país está a assumir, insistindo que é preciso haver "uma resposta mais concertada e solidária" para que se possa "normalizar mais rapidamente as condições de acesso dos refugiados".