À saída da reunião com o Presidente da República, Passos Coelho afirmou aos jornalistas que "apesar de não ter maioria absoluta" nas eleições legislativas, "PSD integrado na coligação Portugal à Frente (PaF) juntamente com o CDS foi a força vencedora" e que "é a estas duas forças que cabe naturalmente constituir governo".

"A nossa expectativa é que venha a ser nomeado e empossado um governo que tem na base política da sua constituição os partidos que integram a coligação Portugal à Frente".


Passos Coelho afirmou ainda que "é muito importante que este mandato possa ser exercido em condições de previsibilidade e estabilidade. Se o país não tiver condições de previsibilidade e estabilidade governativa o que acontecerá é que haverá um adiamento das decisões de investimento em Portugal".

"A maior parte dos agentes económicos - quer sejam nacionais, quer não nacionais - adiarão as suas decisões à espera de uma clarificação política e isso só penalizará o investimento. E, portanto, a nossa capacidade para crescer, criar emprego".

Assim sendo, para o líder do PSD é "indispensável" que haja agora "alguma celeridade na forma como este processo se deverá desenrolar" e que os "sacrifícios que foram feitos pelos portugueses nos últimos quatro anos não sejam colocados em causa".

"A nossa expectativa é que nós possamos estar habilitados a, tão rapidamente quanto possível, ver o próximo governo confirmado na sua confiança parlamentar e em condições de poder apresentar uma proposta de orçamento que venha a acolher favoravelmente o apoio do parlamento".


À saída da reunião com Cavaco Silva, Passos Coelho afirmou que procurou junto do PS criar condições para haver estabilidade e previsibilidade política e disse ainda que não foi possível obter "uma clarificação" do PS, mas que tem confiança que "como partido de grande implantação em Portugal", o PS "não deixará, em sede parlamentar, de assumir as suas responsabilidades".

"Estamos, portanto, persuadidos que existem condições em sede parlamentar para que os resultados das eleições de outubro possam ser respeitados e que o governo que delas emerge com naturalidade possa, no terreno parlamentar, obter as condições que são necessárias para que o país conheça um período de estabilidade e de confiança".

Depois do líder do PSD, o primeiro a ser recebido hoje pelo Presidente da República, foi a vez de António Costa. O líder do PS disse a Cavaco Silva que tem uma "solução alternativa" de Governo com apoio do BE e do PCP. Isso mesmo foi confirmado depois pela porta-voz do Bloco Catarina Martins, que considerou uma "perda de tempo" o chefe de Estado indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro.  

Porém, é isso mesmo que a PàF está à espera.  Para o líder do CDS-PP também é "evidente" quem deve ser o próximo primeiro-ministro. Paulo Portas olha para o Governo de esquerda que António Costa levou a Cavaco como uma tentativa de oportunismo político
 

Miguel Albuquerque defende que Passos deve ser empossado

O presidente do Governo Regional e do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, disse hoje que a situação em Portugal é "complicada" e que Pedro Passos Coelho deve ser empossado primeiro-ministro e apresentar o programa de governo da coligação PSD/CDS.

"A situação nacional é complicada, eu entendo que é fundamental, e penso que isso vai acontecer, que o vencedor das eleições assuma o Governo e que apresente um programa de à Assembleia e, no quadro parlamentar, cada um que assuma as suas responsabilidades", disse num encontro com militantes do concelho de Santa Cruz.

Para Miguel Albuquerque, "qualquer alteração substancial de algumas das políticas que estão a ser seguidas ao nível da despesa pública pode levar a que o país possa entrar rapidamente em desequilíbrio e se não houver responsabilidade, nem sentido das proporções nos gastos, é evidente que a situação vai descambar e o mais provável é que haja eleições no próximo ano".

No que diz respeito à situação política regional, o presidente do PSD/M congratulou-se com a vitória do partido na Madeira onde ganhou em 10 dos 11 concelhos e em 50 das 54 freguesias.

"É importante as pessoas estejam atentas que há sinais evidentes de retoma económica a nível do investimento privado na Madeira mas a situação não está resolvida, ainda estamos sob resgate, há uma linha que tem que ser seguida de consolidação orçamental, há que ter prioridades, o investimento público vai ter que ser muito seletivo mas temos razões para estar relativamente otimistas nos próximos tempos", concluiu.

Miguel Albuquerque seguiu para Machico onde manteve igualmente um encontro com militantes à semelhança do que vai acontecer em todos os concelhos da Região.