O PS apelidou este domingo o primeiro-ministro de dissimulado, por dizer que aposta nos jovens, quando durante o seu governo lhes apontou como solução «a porta de saída».

Numa declaração política na sede do partido, em Lisboa, o porta-voz do PS Brilhante Dias respondeu com a frase «há limites para a dissimulação» à afirmação do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de que os jovens são a grande esperança para a transformação da economia portuguesa.

É que, acrescentou Brilhante Dias, foi no Governo de Pedro Passos Coelho que saíram do país mais de 200 mil pessoas, que a taxa de desemprego jovem subiu «para limites nunca alcançados» e que foram recusadas «todas as propostas» socialistas para o crescimento e o emprego.

Numa declaração sem direito a perguntas no final de uma reunião alargada do Secretariado Nacional do PS, o porta-voz falou ainda da situação dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, afirmando que o Governo ignorou propostas de reestruturação da empresa e, ao fim de dois anos, apresentou como solução a extinção dos estaleiros e o despedimento de todos os trabalhadores.

Pelo caminho, acrescentou Brilhante Dias, foram recusadas propostas de trabalho de 128 milhões de euros (como a encomenda de dois navios para a Venezuela), por não haver dinheiro para equipamentos, tendo agora de se gastar 30 milhões em despedimentos.

«O PS está solidário com a difícil situação dos trabalhadores» e vai continuar a acompanhar o caso na Assembleia da República, disse o porta-voz.

A reunião de hoje serviu essencialmente para debater a iniciativa do PS «Novo Rumo», estando marcada para a próxima semana uma nova reunião, na sede do partido, dos 18 coordenadores temáticos da convenção.

«Novo Rumo» é uma iniciativa do PS destinada a criar um espaço de discussão e preparação de um programa de um futuro governo.