O PS acusou esta terça-feira o Governo de estar a transmitir informação falsa e de fazer propaganda eleitoral na sua página oficial na Internet ao publicar um texto, acompanhado por gráficos, intitulado «Repartição equitativa dos sacrifícios».

Numa declaração aos jornalistas, no Parlamento, o deputado socialista Rui Paulo Figueiredo considerou que o Governo «tropeça cada vez mais na sua própria propaganda e confunde cada vez mais o Estado com a atividade político-partidária».

«No seu afã de propaganda eleitoral, o Governo usa para isso os meios do Estado. Na sua página oficial, o colocou um panfleto de propaganda sobre repartição de sacrifícios, mas se o Governo quer fazer propaganda deveria fazê-lo através dos sites dos seus partidos [PSD e CDS]», apontou o coordenador da bancada do PS para as questões da economia.

Em relação ao conteúdo do texto colocado na página oficial do Governo na Internet, www.portugal.gov.pt, Rui Paulo Figueiredo afirmou estar perante um caso «lamentável em que se procura confundir os portugueses».

«Basta os trabalhadores no ativo ou os pensionistas olharem para os seus recibos de vencimento. Quando estamos perante o maior aumento de impostos e quando o rendimento disponível dos reformados e pensionistas é cortado de toda a maneira e feitio, é preciso ter lata para falar em repartição de sacrifícios», declarou o deputado do PS.

Rui Paulo Figueiredo negou ainda a existência de qualquer repartição de sacrifícios na área da energia e considerou falsa a informação que o atual Governo tenha poupado cerca de 7,5 mil milhões de euros nas renegociações das Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias.

«Há 15 meses que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou essas renegociações, mas o presidente das Estradas de Portugal confirmou no parlamento, na semana passada, que não existe nenhum contrato renegociado aprovado em Conselho de Ministros e enviado para o Tribunal de Contas. Portanto, poupanças em renegociações de PPP há zero. É mentira», acentuou o coordenador do Grupo Parlamentar do PS para a área da economia.

Rui Paulo Figueiredo apelou depois ao Governo para que «se deixe de propaganda eleitoral e concentre-se na governação».

«É isso que os portugueses desejam», cita a Lusa.