O primeiro-ministro renovou esta quarta-feira o apelo ao «consenso alargado» com as forças políticas com «vocação de governo», dizendo que o país não pode esperar pelas eleições legislativas de 2015 para «construir o futuro».

«Esta é a altura de nos deixarmos de evasivas e de nos sentarmos à mesma mesa sem hesitações e falsos pretextos dizendo como queremos, ao nível das infraestruturas até 2020, gastar os recursos que temos», afirmou Passos Coelho, na abertura do debate quinzenal na Assembleia da República.

O primeiro-ministro defendeu que, prestes a terminar o programa de ajustamento financeiro, «é a altura» de os partidos com «vocação de governo» de apresentarem «propostas concretas» para materializar um «compromisso alargado».

«Se existe em Portugal, entre os partidos com vocação de governo, um consenso alargado sobre a necessidade de cumprir o tratado orçamental, de respeitar as regras do Euro, de diminuir o nosso défice, de defender a sustentabilidade da nossa dívida, de gerir com parcimónia e frugalidade que temos para investimentos de longo prazo, então é agora que esse compromisso alargado se tem de materializar em propostas concretas», defendeu.

Para além do consenso sobre os investimentos em infraestruturas, Passos Coelho pediu «propostas concretas» que indiquem «como assegurar uma trajetória de défice orçamental que garanta o objetivo de médico prazo em 2017» e como aplicar as orientações já definidas «em matéria de reforma do Estado, simplificação administrativa e de descentralização do país».

«O país não pode esperar, nem os portugueses nem os investidores, por eleições em 2015 para construir o futuro», afirmou.

Pedro Passos Coelho considerou que se aproxima o «momento relevante» da saída do programa de ajustamento económico e financeiro, sublinhando que todas as avaliações da troika foram até ao momento positivas.

No apelo ao consenso, o primeiro-ministro nunca nomeou o Partido Socialista, indicando apenas as posições que afastam a maioria de outras forças políticas.

«Haverá múltiplas visões sobre esse futuro, sabemos que há forças políticas que entendem que Portugal deve sair do Euro (...) é difícil fazer esse compromisso em Portugal porque a esmagadora maioria do povo português não deseja isso», disse.

O primeiro-ministro demarcou-se também das forças políticas que defendem a reestruturação da dívida, defendendo que a dívida pública é sustentável e o Governo dirá «o preço que está disposto a pagar para não a reestruturar».

«Felizmente, nós temos também um consenso alargado em torno do tratado orçamental, que estipula que no médio termo os Estados têm de ter o seu orçamento equilibrado, ou seja, que não pode ter um défice estrutural superior a meio por cento do PIB», sublinhou.

O primeiro-ministro disse estar disposto a «fazer o caminho para atingir esse objetivo de médio prazo», considerando que o país «tem tudo a ganhar em atingir esse objetivo de médio prazo o mais rápido possível».