O primeiro-ministro considera que a formação de um exército europeu, defendida pelo presidente da Comissão Europeia, «está muito longe», defendendo no entanto que a Europa não deve «repousar excessivamente» na NATO e nos EUA em caso de necessidade.

«Nós sempre estivemos em acordo com um reforço do pilar de defesa dentro da União Europeia (UE), porque é importante para assegurar a sua segurança e defesa, mas estamos muito longe de ter qualquer exército europeu», afirmou Pedro Passos Coelho esta quarta-feira.

No entanto, o chefe de Governo disse esperar que «a UE não repouse excessivamente na ideia de que temos uma participação dos países da NATO e que isso é suficiente para os americanos defenderem a Europa se for necessário».

Para Passos Coelho, a UE «tem a obrigação» de se defender das ameaças externas, recusando que esse dever seja «repousado nos Estados Unidos».

O primeiro-ministro falava no debate parlamentar que decorreu esta tarde sobre o próximo Conselho Europeu, marcado para a próxima semana, respondendo ao secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que o questionou sobre a posição do Governo quanto à formação de um exército único europeu.

No domingo, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse ser a favor da criação de um exército europeu, considerando que isso contribuiria para desenhar uma política externa e de segurança comuns perante países como a Rússia.

No encerramento do debate, Passos Coelho respondeu às críticas da oposição, que considerou que a decisão de Bruxelas ao colocar Portugal sob vigilância apertada e que a pressão do Eurogrupo para medidas adicionais de controlo do défice são resultado da linha de «submissão» do Governo.

«Nós conseguimos fechar o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro, mas isso não significa que tivéssemos resolvido todos os problemas que o país tem. Não se podem negar os problemas que temos», disse.

O primeiro-ministro disse ainda que o Governo está «a caminhar para resolver os problemas que herdou», afirmando que a vigilância aplicada a Portugal por Bruxelas «resulta do que foi acumulado em vários anos».

«Estamos a diminuir essas responsabilidades. E estamos a ajustar de maneira que esses desequilíbrios possam ser corrigidos no futuro de uma forma mais rigorosa», afirmou.