Foram curtos discursos vitória, como curta foi a vitória da coligação Portugal à Frente, que ambicionava "uma maioria sem sobressaltos no Parlamento".

É Passos Coelho que admite, perante uma sala cheia de militantes e apoiantes do PSD e CDS-PP, que esse não é o cenário atual e, por isso, vai procurar acordos com o PS na Assembleia da República: 

"Iremos contactar o Partido Socialista para junto do PS procurar os entendimentos indispensáveis para as reformas estruturais que o país precisa".


Mas, apesar de estar aberto a acordos com o PS, o líder da coligação sublinha que os dois partidos têm condições para formar governo e disso darão conta a Cavaco Silva:

"Iremos dizer ao Presidente da República que estamos disponíveis para governar" , até, porque, "tarefa mais emergente agora é dotar o país de um Orçamento de Estado".


"Estas eleições mostraram uma força vencedora e essa força vencedora foi a coligação", disse, para explicar que o primeiro passo agora será convocar nos próximo dias os órgãos nacionais de ambos os partidos para que seja firmado um acordo de governo que, Passos garante, estava "subjacente ao acordo de coligação" desde o início.

Para repetir uma frase que disse várias vezes em campanha, Passos Coelho insistiu na tónica do "vencedor": "Seria estranho que quem ganhasse as eleições não pudesse governar". E "não é por não termos tido maioria que não daremos o melhor de nós", concluiu.

Num discurso mais virado para o que a coligação se propõe fazer no Governo do que para a análise política da noite eleitoral, o presidente do PSD voltou a frisar a devolução de parte da sobretaxa, "tal como constava no Orçamento do Estado para 2015".

Antes de Passos, discursou o líder do CDS-PP para deixar claro que "não é possível transformar uma derrota nas urnas numa espécie de vitória de secretaria". 

"Vencemos as legislativas com cerca de 39% dos votos". 


"A diferença entre coligação e PS andará pelos 7%. A derrota do PS é inabalável. O resultado fica na casa do que tiveram nas eleições europeias, cujas consequências foram as que se conhecem", disse, numa referência às eleições que abriram caminho a que António Costa disputasse e ganhasse as eleições contra António José Seguro.

"A larga maioria do Parlamento continua a ser formada pelos partidos do arco da governação", afirmou ainda, para deixar um recado aos grupos parlamentares mais à esquerda: "Engana-se quem pensa que o radicalismo serve para governar um país".

Portas disse ainda que "os portugueses quiseram, com total clareza que PSD e CDS sejam governo por mais quatro anos, mas não nos deram uma maioria absoluta de mandatos. Saberemos ler e respeitar essa dupla circunstância", sublinhando que tal implica um esforço para uma "política responsável, de abertura e de compromisso".
 
As intervenções dos líderes da coligação terminaram com o hino nacional, sem lugar a perguntas dos jornalistas e a festa em que se tinha transformado o hotel em Lisboa, usado como quartel-geral da coligação, rapidamente desmobilizou.

Sem a confirmação da maioria absoluta - e com chuva lá fora - os militantes que acorreram ao Sana Hotel rapidamente voltaram para casa.