Notícia atualizada às 00:45

O primeiro-ministro e presidente do PSD considerou na segunda-feira que este é o momento para «aqueles que têm endurance» e não para políticos que consideram ter agora «melhores oportunidades» do que há um, dois ou três anos.

Pedro Passos Coelho assumiu esta posição num discurso em que acusou o PS de negar os resultados da governação PSD/CDS-PP, deixando ainda várias críticas aos anteriores executivos chefiados por José Sócrates e dramatizando um eventual regresso dos socialistas ao poder, com António Costa.

«Não lutámos para nos aborrecermos à primeira contrariedade, para baixarmos os braços ao primeiro sinal de desalento, ou apenas porque há políticos que consideram que hoje têm melhores oportunidades do que podiam ter tido há três, há dois ou há um ano atrás. Não, este é o momento daqueles que têm verdadeira endurance, daqueles que sabem o que querem e que não precisam simplesmente de o proclamar, porque mostraram que sabem o que querem. Este é o momento ainda em que se joga uma parte importante do nosso futuro, e nós estamos cá para fazer esse caminho»


Antes, fazendo alusão ao projeto de alta-velocidade ferroviária que esteve na agenda dos anteriores executivos socialistas, o primeiro-ministro afirmou que a missão do Governo PSD/CDS-PP não está cumprida e associou o PS ao retrocesso do país.

«A verdade é que este nosso trabalho não está acabado. E ainda bem que não está, porque se tivesse de vir a oposição em cima disto fazer alguma coisa, nós regressaríamos a alta velocidade - como todos se lembram, a alta velocidade - aos tempos de 2010 e 2011»


O presidente do PSD assumiu como «ponto de honra» tirar Portugal do procedimento por défice excessivo em 2015, afirmando que o Governo adotará «uma estratégia que garanta» esse objetivo.

Pedro Passos Coelho contestou desta forma as «profecias e previsões que possam aparecer» e que «lancem dúvidas» sobre a redução do défice orçamental para menos de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano - a meta inscrita no Orçamento do Estado para 2015 é 2,7%, e anteriormente esteve prevista uma redução para 2,5%.

«Quero aqui reafirmar que é para nós um ponto de honra tirar Portugal do défice excessivo em 2015. É um ponto de honra», declarou o primeiro-ministro, num hotel de Lisboa, numa conferência inserida nas IV Jornadas «Consolidação, Crescimento e Coesão», promovidas pelo PSD, sobre o Orçamento do Estado para 2015.

E, apesar de todas as profecias e previsões que possam aparecer que lancem dúvidas sobre essa matéria, garanto-vos: o Governo nunca deixará de adotar uma estratégia que garanta que em 2015 nós vamos sair do défice excessivo. Esse é um compromisso com a responsabilidade com que fomos eleitos e que devolvemos aos portugueses


O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou também que os partidos da oposição revelaram «paroquialismo» ao não marcarem presença na condecoração do ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, pelo Presidente da República, Cavaco Silva.

«É extraordinário que, tendo o Presidente da República decidido assinalar essa circunstância - numa cerimónia que, no fundo, pretende distinguir alguém que obteve essa distinção lá fora, reconhecida por todos - não tivesse havido um único partido da oposição que se tivesse feito representar nessa cerimónia»


«Como isto mostra o paroquialismo, para não dizer outra coisa, de muita gente na sociedade política em que ainda habitamos», acrescentou, apontando Durão Barroso como «um português que presidiu à Comissão Europeia no período mais conturbado e difícil da própria Europa desde a II Guerra Mundial».