O líder do PSD espera não voltar a ser chamado para assumir as funções de primeiro-ministro "com a casa [o país] em chamas", desejando que o Governo "não dê cabo" da credibilidade conseguida pelo anterior. Declarações feitas esta sexta-feira à noite, na Guarda, na apresentação aos militantes do distrito da sua candidatura a um novo mandato de dois anos como presidente do PSD. E que surgem no dia em que o Governo apresentou a proposta do Orçamento do Estado para 2016.

"Termino, dizendo apenas que espero não ser chamado, outra vez, com a casa em chamas."

Na sua intervenção, Passos sublinhou que, "se hoje há um Governo que tem esta conversa de que é preciso acabar com a austeridade e restituir os rendimentos (...) é porque há lá condições para que isso seja feito, porque quando não havia condições, o que os próprios socialistas faziam era o contrário: cortavam salários, aumentavam impostos e chamavam a 'troika'".

"Agora, têm esta conversa, porque nós fomos bem-sucedidos, porque agora há melhores condições para poder distribuir. Vamos ver até quando."

O ex-chefe do Governo disse ter noção de que "pagou um preço" pela "determinação" com que defendeu as reformas aplicadas quando foi primeiro-ministro, porque "estava mais concentrado em não falhar, do que em agradar, e isso também se paga".

"O lado bom, para mim, de toda a governação que fiz, é que posso dizer que não falhei no que era importante, que demos a volta aos problemas, que o país se livrou de sarilhos maiores e que, felizmente, hoje podemos olhar para o futuro com mais confiança, assim quem governa hoje não dê cabo da credibilidade que acumulámos e possa acrescentar alguma coisa para futuro, em vez de remover aquilo que estivemos a fazer", sustentou.

Passos Coelho garantiu que no dia "em que o país precise", que confie nele "e que confie no PSD para fazer o que é preciso".

 

"Esperançado" no futuro do país

Antes, Passos Coelho tinha estado na abertura da XXI Feira das Tradições e Atividades Económicas em Pinhel, onde se mostrou esperançado no futuro do país. Advertiu, no entanto, que é necessário fazer "um pouco mais" para que os empresários "acreditem em Portugal".

O futuro do nosso país pode ser um futuro muito mais esperançoso para todos, se todos fizermos um pouco mais de trabalho, para que as nossas empresas sejam mais bem-sucedidas, por um lado e, por outro lado, para que mais empresários e investidores acreditem em Portugal."

O ex-chefe do Governo considerou ainda que só vale a pena fazer "as coisas com confiança, se elas forem realistas".

Sonhar, podemos sonhar todos, transformar os nossos sonhos em realidade já dá trabalho e esse trabalho todos os dias tem de ser conquistado, juntando melhores condições. Condições junto dos nossos jovens para que eles estejam cada vez mais preparados, melhores condições junto daqueles que foram perdendo o emprego e precisam de ter mais ajuda para poder voltar a trabalhar, melhores condições de acessibilidade para aqueles que querem investir", disse.

Na sua intervenção, lembrou que "infelizmente, ao longo de muitos anos", foram-se acumulando "muitas dívidas, quer do lado do Estado e dos poderes públicos, quer do lado dos empresários".

"Ora, isso significa que quanto mais soubermos atrair novos investimentos, pessoas de fora de Portugal que acreditem em nós e que queiram cá investir, mais conseguimos acrescentar futuro às nossas terras e ao nosso país", rematou Passos Coelho.