O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, admitiu este sábado a necessidade de “responder sem hesitações” à desigualdade e à pobreza, um “problema de grande envergadura” a que o Governo pretende dedicar-se com as associações do setor social.

“Na fase atual de recuperação nacional que estamos a viver, temos gradualmente mais margem de manobra para responder aos desequilíbrios sociais. Temos de responder sem hesitações ao problema da desigualdade e da pobreza. Queremos que o horizonte da prosperidade seja partilhado por todos e não apenas por alguns”, defendeu o governante.


"Trata-se de uma tarefa de grande envergadura a que nos iremos dedicar em conjunto", acrescentou Passos Coelho, na sessão de encerramento do XI Congresso Nacional do Mutualismo, no Europarque, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, depois de reconhecer o papel das instituições do setor da solidariedade para evitar a “calamidade social” que o “colapso económico de 2011 fazia prever”.

De acordo com o primeiro-ministro, “nos últimos anos o setor social e solidário foi fulcral no amortecimento da crise junto das pessoas mais vulneráveis”.

“Conseguimos preservar a coesão social, apesar das tremendas dificuldades, devido ao trabalho incansável, dedicado e inovador das instituições de solidariedade”, destacou.


“O colapso económico de 2011 foi de uma envergadura sem precedentes na nossa sociedade democrática. Evitámos uma calamidade social que tudo fazia prever, naqueles primeiros meses de 2011, dada a violência da derrocada financeira, e, para isso, temos de agradecer o trabalho destas instituições”, vincou, destacando o “trabalho de dezenas de mutualidades e da União de Mutualidades Portuguesas”.

Passos Coelho apontou ainda a criação, entre 2011 e 2015, de 46 mil postos de trabalho nesta área.

“Cerca de 46 mil portugueses encontraram neste setor um novo projeto de vida profissional”, vincou Passos Coelho.


De acordo com o primeiro-ministro, esta ligação às instituições está também relacionada com a “alteração do paradigma do Estado Social”, para o tornar “mais próximo dos portugueses”.

“Queremos um Estado Social menos burocrático. Por isso, quisemos criar parcerias que permitem um trabalho em rede com instituições mais preparadas para prestar serviço aos mais vulneráveis da sociedade”, disse.


Passos Coelho destacou que este Governo celebrou, com instituições de solidariedade social, “13 mil acordos”.

O primeiro-ministro salientou ainda o papel que o novo ciclo de fundos comunitários vai ter na área da coesão e inovação social, nomeadamente devido à criação do Programa Operacional para a Inclusão Social e Emprego.

“Deixaremos de ver os fundos europeus como oportunidades perdidas”, assegurou.


De acordo com Passos Coelho, há neste ciclo de financiamento comunitário "uma mudança decisiva” relativamente ao “compromisso com a obtenção de resultados”, nomeadamente na área da “inclusão social”.

“Os fundos vão ser realmente investidos. Queremos resultados concretos na competitividade da economia”, garantiu.


A aposta, para o primeiro-ministro, passa pela inovação.

“Cada vez mais a inovação é a chave do crescimento económico. A inovação tem de ser mais acelerada nesta área [social]. No setor social os meios financeiros são mais escassos, mas os fundos são a resposta a esse problema”, observou.


Para Passos Coelho, “os desafios de agora exigem uma resposta estratégica ponderada”, que deve incluir “uma relação constante entre instituições”.

Passos defendeu, por isso, uma “maior articulação, cooperação, colaboração e criação de redes no setor”, para uma maior “eficiência e eficácia das respostas”.