Passos Coelho congratulou-se esta terça-feira com a descida da taxa de desemprego para 13% em abril. O primeiro-ministro espera que os próximos meses confirmem esta "tendência"  de recuperação "mais consistente". Depois do discurso em que abordou o assunto, na Madeira, quando questionado pelos jornalistas sobre as declarações de António Costa, que vê nos números do INE um "final muito triste", Passos acusou "a oposição" de "tentar esconder" aquilo que são "boas notícias".

"Julgo que fica bem à oposição não lançar poeira para o debate público; fica mal à oposição não reconhecer os resultados. Todos nós gostaríamos que eles fossem melhores. Enquanto existir um nível de desemprego acima de 10% é seguramente profundamente injusto para as pessoas vítimas dessa situação e do ponto de vista da economia nacional é um desperdício"

De visita oficial à madeira, o chefe de Governo considerou que é preciso continuar "as reformas estruturantes importantes" e insistiu que "não vale a pena tentar esconder boas notícias, ou diminuir ou relativizar boas notícias". 

O recado para o PS continuou: "O Governo não disse que o problema [do desemprego] está resolvido, mas não seria correto transmitir uma ideia falsa de que não estamos a resolver".

Passos Coelho destacou que os 13% de taxa de desemprego aproximam-se "muito já, mesmo", aos valores de desemprego com que o Governo iniciou o programa de assistência económica e financeira.

"O caminho que temos perseguido é positivo e é um caminho que gradualmente nos coloca fora de uma situação de emergência, de stress, de emergência financeira, de emergência social e de emergência económica. Paulatinamente vamos conquistando o nosso direito a ter uma recuperação mais consistente".

Para o primeiro-ministro, os números mostram que "claramente" existe uma recuperação do emprego em Portugal. 
 

Programa da coligação será "previsível"

Já no Parlamento tinha sido acusado pelo líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, da sua previsibilidade, e Passos Coelho fez questão de recordar esse episódio na conferência de imprensa, ao lado do presidente do Governo regional, Miguel Albuquerque. Isto na sequência de uma pergunta sobre as diferenças que as linhas programáticas da coligação, que serão apresentadas na quarta-feira, terão em relação às do PS. 

O também líder do PSD considerou que a previsibilidade é uma qualidade e que o país a "merece", pelo que não haver surpresas "não é mau". 

Advogou, nesse sentido, uma "recuperação prudente e segura" e um crescimento "saudável e não ilusório" como aquele que, depreende-se pelas suas palavras, entende que o PS propõe.

"Muito me surpreenderia que não houvesse diferenças assinaláveis em relação [às propostas do] PS. Os portugueses sabem o que temos feito e a inha que temos seguido".

Esse caminho, lembrou, é o trilhado no Programa de Estabilidade e no plano nacional de reformas apresentado à Comissão Europeia. É isso, portanto, que os portugueses poderão esperar das promessas eleitorais da coligação.