É um dos maiores jantares-comício que PSD e CDS alguma vez organizaram. Aveiro, e os seus 18 concelhos, mobilizou-se em peso, e juntou no Europarque mais de seis mil apoiantes. Mas há gente do Porto, de outras cidades do Norte,  que esta noite estiveram em Santa Maria da Feira.

Paulo Portas ainda desafiou Passos Coelho a dizer "de forma simples que precisamos de uma maioria para ter estabilidade". Mas não adiantou. O candidato a primeiro-ministro insiste em manter um tabu sobre o tema.

É o próprio a admitir que dentro da comitiva lhe pedem o apelo inequívoco. Ainda não é desta: preferiu ensaiar uma teoria em torno do chumbo ao Orçamento de Estado, já garantido pelo líder do PS. António Costa fez a "ameaça" de  "chumbar o Orçamento do Estado", o que significa, que também chumbaria "o programa de Governo".

"Só há uma forma do país se libertar: conferir uma maioria no Parlamento, não para o Governo, mas para o Parlamento".

As eleições legislativas escolhem, como todos sabem, o Parlamento, e é daí que emana o Executivo, se o Presidente da República assim entender. Mas isso são detalhes:

"Amanhã muitos comentadores vão dizer - ele não classificou a maioria... Mas alguém tem dúvidas sobre que maioria é esta? Quando se diz maioria no Parlamento todos sabem o que quero dizer...


Mas não diz: é como um pedido de maioria absoluta sem o ser e uma estratégia calculada ao pormenor para que a campanha se mantenha em crescendo.


E teoriza um pouco mais, acenando com a tal instabilidade, que levaria o país outra vez às urnas: "Sem essa maioria e com o chumbo no Orçamento - já prometido pelo PS - há eleições, de novo, daqui a um ano e meio".

Minutos antes, Portas tinha ensaiado o discurso do ou nós ou o caosmas com os dois tipos de maioria: a positiva e a negativa.

A primeira, garante, é a da coligação. A segunda é a do PS, com a esquerda, que "não deixa passar o Orçamento do Estado, nem deixa governar". Ora essa maioria negativa leva-nos a um acordo entre PS, PCP e BE.

Mas para Portas, a esquerda "n ão é capaz de formar um governo estável porque são contraditórios entre si sobre o euro e a pertença de Portugal à União Europeia". 

Não são os comícios que ganham as eleições, e por isso apesar desta "mobilização histórica", há ainda um conjunto de portugueses que está hesitante [vide sondagens: são 22,2% de indecisos, número recorde].

Não são estes no Europarque que rodeiam Passos mal sai do palco para selfies, autógrafos e beijinhos e não o deixam jantar. Até que Portas, o número dois, o substituiu e Passos lá se sentou. É uma das vantagens da coligação: são dois.