Paulo Portas ainda desafiou Passos Coelho a dizer "de forma simples que precisamos de uma maioria para ter estabilidade". Mas não adiantou. O candidato a primeiro-ministro insiste em manter um tabu sobre o tema.

É o próprio a admitir que dentro da comitiva lhe pedem o apelo inequívoco. Ainda não é desta: preferiu ensaiar uma teoria em torno do chumbo ao Orçamento de Estado, já garantido pelo líder do PS. António Costa fez a "ameaça" de  "chumbar o Orçamento do Estado", o que significa, que também chumbaria "o programa de Governo".

"Só há uma forma do país se libertar: conferir uma maioria no Parlamento, não para o Governo, mas para o Parlamento".

"Amanhã muitos comentadores vão dizer - ele não classificou a maioria... Mas alguém tem dúvidas sobre que maioria é esta? Quando se diz maioria no Parlamento todos sabem o que quero dizer...

Mas não diz: é como um pedido de maioria absoluta sem o ser e uma estratégia calculada ao pormenor para que a campanha se mantenha em crescendo.

E teoriza um pouco mais, acenando com a tal instabilidade, que levaria o país outra vez às urnas: "Sem essa maioria e com o chumbo no Orçamento - já prometido pelo PS - há eleições, de novo, daqui a um ano e meio".

Minutos antes, Portas tinha ensaiado o discurso do ou nós ou o caosmas com os dois tipos de maioria: a positiva e a negativa.

A primeira, garante, é a da coligação. A segunda é a do PS, com a esquerda, que "não deixa passar o Orçamento do Estado, nem deixa governar". Ora essa maioria negativa leva-nos a um acordo entre PS, PCP e BE.

Mas para Portas, a esquerda "não é capaz de formar um governo estável porque são contraditórios entre si sobre o euro e a pertença de Portugal à União Europeia". 

Não são os comícios que ganham as eleições, e por isso apesar desta "mobilização histórica", há ainda um conjunto de portugueses que está hesitante [vide sondagens: são 22,2% de indecisos, número recorde].

Não são estes no Europarque que rodeiam Passos mal sai do palco para selfies, autógrafos e beijinhos e não o deixam jantar. Até que Portas, o número dois, o substituiu e Passos lá se sentou. É uma das vantagens da coligação: são dois.