O primeiro-ministro garantiu hoje em Braga que a carta de intenções que o Governo vai enviar à troika «não tem» novos compromissos e disse esperar que o PS encontre uma «forma limpa» de fazer campanha sem «aterrorizar» os portugueses.

Passos vaiado por centenas de manifestantes em Braga

À margem da apresentação da StartUp Braga, Pedro Passos Coelho disse que a carta «não está concluída» e apontou novamente o dedo aos socialistas dizendo que o PS «sabe muito bem» que a revelação do conteúdo daquela missiva depende do FMI porque essas são «as regras do jogo».

Passos Coelho confessou ainda não ter visto a publicação do Presidente da República na rede social Facebook sobre o anúncio da «saída limpa» do resgate financeiro mas disse ter a «certeza» que Cavaco Silva tem uma «opinião positiva» sobre o processo de conclusão do resgate financeiro.

«Creio que é possível a todos os partidos disputarem as eleições sem usarem os portugueses e a incerteza sobre o futuro para ganhar votos. Espero que o PS encontre uma forma limpa de fazer a campanha eleitoral», disse, quando confrontado com a insatisfação do PS sobre o facto de o Governo não ter ainda revelado o conteúdo da carta que vai enviar ao FMI, a propósito da última avaliação incluída no programa de assistência externa.

Segundo o líder do Governo, «não vale a pena estar a criar nenhuma mistificação» à volta da missiva para o FMI, até porque, disse, «já fizemos 11 cartas destas na medida em que quando se concluiu uma avaliação é feita uma marta mostrando comprometimento em alcançar os resultados que foram apontados».

Passos garantiu que «essa carta ainda não está concluída» e que «não tem nenhuma novidade particular» e que não depende do Governo a altura em que o conteúdo da carta é revelado.

«Isso depende do FMI, são as regras do jogo, talvez por isso o PS esteja a fazer essa insistência. O PS sabe que a sua divulgação deve ser feita pelo FMI depois do board do fundo ter aprovado a avaliação a que respeita», disse.

O primeiro-ministro referiu ainda que «se a carta contivesse compromissos novos, diferentes, que as pessoas precisassem de saber, que tivessem implicação importante para o futuro do país» era diferente mas, assegurou «não tem».

Por isso, o líder do PSD e do Governo disse esperar «sinceramente» que pare «de uma vez por todas essas formas de querer aterrorizar as pessoas, querer criar um clima de medo relativamente ao futuro» porque, disse, «não é com medo que o país vai fazer o caminho que tem que fazer».

Assim, Passos deixou um pedido aos partidos políticos e ao PS, em particular.

«Creio que é possível a todos os partidos disputarem as eleições sem usarem os portugueses e a incerteza sobre o futuro para ganhar votos. Espero que o PS encontre uma forma limpa de fazer a campanha eleitoral», disse.

Questionado sobre se tinha visto o comentário de Cavaco Silva, no Facebook, sobre o anúncio da «saída limpa» do resgate financeiro, Passos confessou não ter visto.

«Não vi o Facebook do presidente da Republica mas conheço a opinião que ele tem sobre o processo e tenho a certeza que ele tem uma opinião positiva sobre este processo que o país concluiu», referiu.

Passos Coelho: «Ninguém tem certezas sobre o futuro»