«O facto de sermos exigentes, como outros governos europeus foram exigentes, quanto à necessidade de o Governo grego manifestar de forma muito clara a sua vontade de cumprir com as responsabilidades que foram contraídas pela Grécia no passado é um dever de exigência natural».

Por isso, sublinhou, «não pode ser considerado a nenhum título como uma tentativa de derrubar Governos ou de conspirar contra Governos ou qualquer coisa dessa natureza» e a «postura exigente de Portugal» deve-se apenas à necessidade de existir clareza quanto às obrigações que são contraídas quando se pede dinheiro emprestado ou ajuda externa.

Passos Coelho, que respondia a perguntas dos jornalistas à margem de uma visita ao SISAB, reiterou ainda a posição transmitida no fim de semana pelo seu gabinete de que o Governo português manifestou através de canais diplomáticos a sua perplexidade perante «acusações infundadas» do primeiro-ministro grego, que acusou Portugal e Espanha de terem tentado bloquear um acordo com o Eurogrupo.

«Não fiz nenhum protesto. Simplesmente, pelos meios diplomáticos que são adequados, fiz saber um pouco a minha perplexidade sobre as declarações que tinham sido proferidas junto do gabinete do presidente do Conselho Europeu (…) e ao gabinete do presidente da Comissão Europeia», referiu, assegurando que «não foi mais do que isso».

Recusando entrar em «pingue-pongue com o primeiro-ministro grego», Passos Coelho reafirmou ainda que Portugal «cooperou de uma forma muito construtiva» juntamente com todos os outros governo europeus da Zona Euro para que fosse possível chegar a um entendimento sobre os termos em que o Governo grego poderia solicitar ao Eurogrupo um prolongamento do programa de assistência.

Também esta segunda-feira, o governo alemão afirmou que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, cometeu «uma falha» ao ter acusado Portugal e Espanha de quererem conduzir a Grécia a uma asfixia financeira durante as negociações em Bruxelas sobre a dívida helénica.

«Só posso dizer que, de acordo com os padrões europeus, foi uma falha muito invulgar», disse Martin Jaeger, porta-voz do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, durante uma conferência de imprensa, acrescentando: «Não fazemos isto no Eurogrupo».

No sábado, numa reunião do comité central do Syriza, Tsipras afirmou que, no Eurogrupo, a Grécia se deparou «com um eixo de poderes, liderado pelos governos de Espanha e de Portugal que, por motivos políticos óbvios, tentou levar a Grécia para o abismo durante todas as negociações».

«O seu plano era e é desgastar-nos, derrubar o nosso Governo e levá-lo a uma rendição incondicional antes que o nosso trabalho comece a dar frutos e antes que o exemplo da Grécia afete outros países, principalmente antes das eleições em Espanha», previstas para o final deste ano, acrescentou, citado pela agência espanhola Europa Press.