O presidente do PSD acusou esta quinta-feira o Governo de pôr em causa a confiança no país com opções orçamentais imprudentes e arriscadas e disse esperar que não se repita em Portugal o que aconteceu na Grécia.

"Não quero que aconteça ao meu país o que aconteceu na Grécia. Não quero que aconteça aquilo que aconteceu no passado", declarou Pedro Passos Coelho, numa conferência em Oeiras, distrito de Lisboa, em que apontou como "muito significativo" o que se passou hoje na reunião do Eurogrupo.

O ex-primeiro-ministro referiu que o ministro das Finanças, Mário Centeno, se comprometeu a preparar medidas adicionais, embora dizendo estar convicto de que não serão necessárias.

"Esperamos todos que elas não venham a ser necessárias, mas não foi um acaso que tivessem sido pedidas. Como não foi um acaso que já tivesse sido pedido pela Comissão Europeia, antes, outras medidas que não constavam das intenções iniciais", sustentou.

Segundo Passos Coelho, o executivo do PS tomou opções orçamentais "demasiado imprudentes e arriscadas" e de forma consciente: "Podia ter feito de outra maneira, sabendo que era isto que ia acontecer, evitava criar esta incerteza".

"Insistiu em apresentar uma coisa que sabia que não tinha viabilidade", reforçou, acrescentando que isso obrigou depois o Governo a "andar às arrecuas e a explicar-se a toda a gente e a telefonar às agências de 'rating' e a tentar convencer as pessoas que não, que aquilo não é o que parece".

Neste contexto, questionou: "Porquê então este espetáculo todo? Porque é que já vamos na terceira versão do Orçamento que vai ser entregue no parlamento para discussão, se já sabíamos quais as regras?".

"Se nós queremos dar sinais de preocupação e de inquietação, então o Governo está bem. Para poder fazer exercícios de aparente autoridade, então continue", criticou.

O presidente do PSD apelou ao Governo chefiado por António Costa para que, se quiser fazer "diferente do anterior", o faça sem "pôr a confiança do país em causa".

"Eu, como já ouvi esta conversa antes e já vi este filme aqui e lá fora, preferia que esse filme não corresse. Que façam lá as coisas que entendam, cumpram um programa diferente, sem semear a incerteza, a imprevisibilidade, a insegurança no país", pediu.

Passos Coelho recordou que em dezembro já tinha perguntado ao primeiro-ministro, António Costa, o que pensava fazer caso a Comissão Europeia colocasse dúvidas ao cumprimento das metas orçamentais.

"Na altura, ele não respondeu, como de resto acontece com frequência", disse Passos Coelho.

A este propósito, o ex-chefe do Governo PSD/CDS-PP aproveitou para responder às críticas que fazem à sua atuação no plano europeu: "Mas na verdade eu não sou um adivinho e, ao contrário do que agora para aí sugerem, não tenho poderes ocultos em Bruxelas".

"Até porque, não sei se se recordam, eu era assim uma espécie de 'lacaio' em Bruxelas. Ora os lacaios não mandam nos patrões, portanto, não cola uma coisa com a outra", ironizou.

"Nós conhecemos é estes mecanismos, o que é uma coisa diferente. Sabemos como as coisas são", completou.