[Notícia atualizada com mais informações]
 
Não é da boca de Pedro Passos Coelho que se ouvem as palavras: é uma formulação do mesmo, mas sem referir a palavra absoluta. “Não podemos ter menos condições do que tivemos nos últimos quatro anos”, sublinhou esta segunda-feira o  candidato da coligação Portugal à Frente.

À entrada, a estrutura local do partido ignora a diretriz que ainda ontem o primeiro-ministro deixou claro no discurso ao dizer que não gostava de "poderes absolutos", e distribui fitas, que servem de bilhetes de entrada, com a frase: "Em Pombal, começa a luta pela maioria absoluta".
 

As pulseirinhas ficaram até ao fim, mas uma enorme faixa acabou por ir para ao lixo. Pelas 19h, quando as primeiras equipas de reportagem chegaram ao pavilhão para o jantar-comício, a estrutura local colocava uma tarja que se podia ler bem ao longe e que dizia o mesmo: "Em Pombal, começa a luta pela maioria absoluta".
 
Mas uma hora depois já tinha sido retirada da parede; afinal Passos continua no discurso a contorna as palavras, apesar de não ignorar o seu significado: "Se quisermos alcançar mais do que temos hoje, não podemos ter menos condições do que tivemos nos últimos quatro anos", uma frase que aponta para a maioria absoluta, sem nunca o dizer explicitamente.
  

"Peço com naturalidade e humildade...", "temos de pôr as diferenças de lado e criar condições para ser bem sucedidos, e isso só depende da estabilidade política e da escolha que fizermos nas eleições".

 
 
Para Passos Coelho, a equação é simples de fazer: "com a estabilidade que nos deram há quatro anos, vencemos a crise"; com a reeleição, o também primeiro-ministro promete "mais": " Só chegamos aqui com o seu apoio, e sei o que poderemos fazer com o seu apoio".
  
O apelo ao voto é tónica de campanha, a seis dias de eleições, com Paulo Portas a citar uma história para deixar gravada na memória de quem o ouve - sobretudo em casa - e que culmina na frase eficaz:
"Acha que vou votar no incendiário ou no bombeiro? No bombeiro, claro!"
 
Antes do início do comício, o líder do CDS deixou claro que o relatório da Comissão Europeia sobre Portugal ter margem para o aumento da carga fiscal é uma "mera opinião de Bruxelas" que não cabe no programa de Estabilidade, já entregue às instituições europeias, e que o país se compromete a cumprir. Ao de leve, Passos Coelho também irá ao tema, para dizer que tendo as contas em dia, pagando a dívida, "é possível lançar o caminho progressivamente, com segurança, desonerar as famílias e as empresas", com a redução gradual da sobretaxa de IRS e com a descida do IRC.