Passos Coelho garantiu esta sexta-feira que não há incómodo algum no seio do Governo em relação às recentes declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o Estado Islâmico, que adiantou numa entrevista que há dois ou três casos de portugueses arrependidos que querem regressar. Quis frisar também que, pessoalmente, não tem «nenhum problema» com as mesmas.

«Não tenho conhecimento de nenhum incómodo dentro do Governo com as declarações do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros e, tendo lido algumas manchetes e algumas notícias também que davam conta disso, tive o cuidado de ir ver as declarações que o senhor ministro fez, e a mim não me causaram nenhum incómodo», afirmou, em Bruxelas, no final de um Conselho Europeu.

«A única coisa que posso dizer é que acho que a própria explicação que foi dada à comunicação social pelo ministro dos Negócios Estrangeiros me satisfaz plenamente. Não tenho nenhum problema com aquilo que disse» Rui Machete, completou o chefe de Governo, citado pela Lusa.

Na sua edição desta sexta-feira, o «Diário de Notícias» revela que no Conselho de Ministros de quinta-feira o caso chegou a provocar momentos de grande tensão entre ministros, tendo o ministro da Administração Interna considerado «inaceitáveis» as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros.

«Não vou fazer nenhum comentário sobre essa matéria. A única coisa que quero dizer é que a notícia que hoje veio a público sobre essa matéria, nos termos em que veio a público, não tem qualquer adesão com aquilo que, alegadamente, se terá passado», frisou hoje Miguel Macedo.

Rui Machete enviou ao DN uma carta negando que tenha divulgado qualquer «informação secreta» e recusando ter revelado «qualquer pormenor que permita identificar pessoas concretas» na sua entrevista à Rádio Renascença.

O PS pediu na quinta-feira a audição, à porta fechada, do chefe da diplomacia portuguesa no parlamento, com caráter de urgência, por considerar «irresponsáveis» as declarações do titular da pasta dos Negócios Estrangeiros e diz que se poderá estar perante um caso de divulgação de informação sigilosa.