O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, participou esta sexta-feira na inauguração dos novos edifícios da Câmara de Bragança, que incluiu almoço oferecido à população e que a candidatura autárquica do PS considerou uma «descarada ação de campanha».

«Entendemos esta iniciativa como uma clara, inequívoca e descarada ação de campanha», acusou Júlio Meirinhos, o candidato socialista à câmara liderada pelo social-democrata Jorge Nunes, que não concorre às autárquicas de 29 de setembro por ter atingido o limite de mandatos.

A candidatura do PS convidada para «a grande festa de inauguração» do requalificado Forte de São João de Deus, a sede dos Paços do Concelho, «decidiu não marcar presença depois de ter tido conhecimento da presença do primeiro-ministro».

«Há três anos que Passos Coelho está no Governo e não temos registo da sua vinda a Bragança para resolver qualquer problema que aflija a região, nos últimos três meses, e depois de publicamente assumidas as candidaturas às autarquias de 2013, esta é a segunda vez que se desloca à capital de distrito», alegou o candidato socialista.

O primeiro-ministro esteve no mesmo local, que hoje inaugurou, a 1 de junho para presidir à cerimónia de entrega da obra da barragem de Veiguinhas.

Passo Coelho regressou hoje para inaugurar o resultado do investimento de 12,3 milhões de euros na reabilitação da antiga câmara e construção de novos edifícios, que encerraram ao público para a festa com almoço gratuito para a população, convidada nos últimos dias a participar no evento pela autarquia.

Segundo o gabinete de imprensa da Câmara, para o almoço foram feitas «duas mil reservas».

O primeiro-ministro discursou no novo largo do município para algumas centenas de pessoas e ouviu o protesto de um grupo de funcionários públicos de escolas de Bragança que ostentavam frases escritas em folhas de papel.

«Excedentários são o 1.º Ministro e companhia, Lda» ou «Se querem cortar, cortem nas vossas mordomias» eram algumas das frases dirigidas a Pedro Passo Coelho, que passou pelo local sem falar com os manifestantes.

O presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, aproveitou a ocasião para fazer agradecimentos públicos e o balanço de 16 anos de gestão autárquica, durante os quais, garantiu, «Bragança evoluiu muito».

Já o Bloco de Esquerda considerou «uma ofensa» à população de Bragança a presença do primeiro-ministro na inauguração.

O BE local esclareceu, em comunicado, que foi convidado para a cerimónia e que se fez representar pelo seu candidato à Câmara, Gil Gonçalves e à Assembleia Municipal, Luís Vale.

«Foi com surpresa e até estupefação que constatámos que esse momento de inauguração não foi mais do que uma enorme ação de campanha eleitoral do PSD, paga pelo erário público», relatou o BE, acrescentando que no convite que recebeu «em nenhum momento era referida» a participação do primeiro-ministro.

«Não podemos pactuar com tais manifestações que em nada dignificam os políticos, os partidos e a própria democracia», lê-se no comunicado.