O primeiro-ministro defendeu este sábado o desenho de políticas ativas de emprego à medida daqueles que trabalharam em áreas que não serão retomadas com a mesma importância do passado como é o caso da construção civil e obras públicas.

Durante o discurso do 15.º aniversário da Associação para o Desenvolvimento Integrado da Cidade de Ermesinde (ADICE), em Valongo, distrito do Porto, Pedro Passos Coelho admitiu que «o desemprego estrutural do país continua a ser muito elevado», estando acima dos 10%, sendo necessário «um programa muito decidido e muito determinado» para o combater.

«É importante estar consciente de uma dificuldade. Há grupos de cidadãos portugueses que mesmo que tudo isto aconteça, mesmo que nós sejamos bem-sucedidos nesta nossa vontade de mudar estruturalmente o perfil da economia portuguesa (…) há pessoas que continuarão a não ter oportunidades de emprego.»


Segundo Passos Coelho, trata-se de um «grupo de pessoas que dedicaram um tempo grande da sua vida a áreas que não retomarão como tiveram importância no passado, sobretudo a área da construção civil e das obras públicas».

«Essas pessoas precisam de sair dessa situação, não podem ficar à espera que todos estes nossos planos resultem bem. Temos de desenhar políticas ativas de emprego muito à medida deste problema específico que temos.»


O primeiro-ministro considera que é preciso que estes desempregados possam «aceder a soluções de microcrédito, de apoio ao autoemprego, explorando nichos de oportunidades de mercado».

«Conseguiremos atacar este problema se conseguirmos que as nossas instituições sejam suficientemente abertas para poder prestar apoio muito diferenciado a estes grupos a estes grupos específicos de cidadãos nossos.»


Na opinião do governante, esta situação é «resultado da transformação estrutural da própria economia», sendo que «muitas vezes essas pessoas têm muito baixas qualificações e que mesmo que lhes seja disponibilizada formação, oportunidade para se reorientarem para outras áreas, irão estar sempre em competição com outras pessoas, 20 anos mais novas, com as mesmas competências ou outras ainda maiores, disponíveis para por menos dinheiro realizar o mesmo trabalho».

Passos Coelho diz ser «muito importante que esta resposta possa ser colocada em marcha o mais rapidamente possível», sendo para isso utilizados fundos europeus e uma estratégia concertada com instituições da sociedade civil.

Para reduzir o desemprego estrutural o primeiro-ministro explica que é necessário «crescer para além daquilo que hoje a capacidade instalada nos faz poder sonhar», o que exige que se aproveitem bem os fundos europeus dos próximos anos e que todo o sistema educativo responda com mais proficiência ainda do que no passado.

«E com isto, se formos bem sucedidos, conseguiremos uma economia social de mercado mais competitiva, mais aberta, mais global. Se fizermos isto, conseguiremos reduzir uma parte do desemprego estrutural.»


Passos deixa desafio ao PS

Este sábado o chefe do executivo também discursou no  encerramento do I Congresso Distrital dos Autarcas do PSD de Aveiro e aproveitou para desafiar o Partido Socialista a explicar como pretende criar novas prestações sociais sem aumentar a despesa pública.

«Ai do governo que pense ganhar o país a prometer o que só depende dos outros. Convido todos os que querem disputar responsabilidades para futuro a dizerem o que podem trazer por si próprios, que não seja pela via europeia. Que digam como é que criam novas prestações sem aumentar despesa e sem com isso aumentar défice e as necessidades de financiamento da economia.»


Passos Coelho referiu-se às próximas eleições legislativas afirmando que o julgamento eleitoral será feito sobre o passado, «de que o Governo nada tem que o envergonhe», mas sobretudo a perspetiva de futuro.

«A nossa principal tarefa é dizer aos portugueses que se conseguimos suportar os custos da mudança, não é hora de voltar às mesmas discussões e problemas.»


Passos Coelho justificou que o Governo «fez o que se exigia, fechando um ciclo de emergência nacional e o memorando da troika, restituindo ao país a capacidade para escolher» o futuro.

«Não temos nada que nos envergonhe no passado», reforçou, salientando que, apesar das dificuldades, o Governo foi ainda capaz de «lançar as sementes para o futuro» com reformas na Defesa e na Justiça ou na Administração Interna, mas também nas áreas económicas e sociais.

«Os portugueses sabem que não foi o calculismo eleitoral que nos conduziu até hoje e não é o taticismo eleitoral que nos comandará no futuro.»


Perante uma plateia de autarcas, Passos Coelho disse não desistir do processo de descentralização porque os municípios estão preparados 40 anos depois de instituído o poder local democrático para assumir novas responsabilidades.

«Sem a descentralização o país não avançará« disse, garantindo que o objetivo é tornar mais eficiente a administração pública e não levar a despedimentos do Estado central, apenas permitir que os funcionários públicos «façam coisas diferentes».