Passos Coelho criticou esta sexta-feira, no debate quinzenal, o rumo que está a ser seguido pela Grécia, tardando o acordo com os credores. Não pode haver, defende Passos Coelho, Atenas não pode dispor da União Europia "à la carte", satisfazendo as suas pretensões dos países, sem pensar no coletivo europeu.

"Não pode haver uma união económica à la carte, em países decidem hoje que podem estar e amanhã não. ou porque não querem, ou porque não têm dinheiro... [Assim continuará] a pairar estigma e o projeto europeu e a moeda única perderão capacidade mobilizadora"

O chefe de Governo considera que esse é "o grande risco de futuro" para a Europa, a "principal ameaça" no médio e longo prazo, reforçou.

A "Grécia não está hoje seguramente melhor do que estava há meio ano atrás". "Não sei como é que vão acabar as negociaçõs", mas uma coisa é certa: "Nós não quisemos seguir essa abordagem", afirmou Passos, acrescentando que essa opção tem consequências e que têm de ser assumidas.

Passos Coelho tinha sido interpelado pelo líder parlamentar do PSD Luís Montenegro,, que lembrou as palavras de António Costa aquando a vitória do Syriza.

"A mudança syrizista de António Costa não produziu resultados e ele agora por via das dúvidas já diz que não tem nada a ver com isso. É mais ou menos como as promessas do PS: são todas muito boas, são todas brilhantes, são todas viáveis, mas face às reações que provocam estão em variação constante, senão mesmo diária", afirmou.

"Onde estaríamos nós se tivéssemos seguido a estratégia da Grécia?", interrogou o deputado social-democrata.  "Teríamos a economia a crescer? O desemprego a baixar?".