O presidente do PSD Pedro Passos Coelho exigiu, este domingo, que o primeiro-ministro António Costa esclareça quais as perspetivas de médio prazo para o país, questionando se o Governo se está a preparar para dar más notícias.

Era importante que o Governo esclarecesse como é que vê as perspetivas de médio prazo para Portugal e para os portugueses. As boas notícias que quis dar nos primeiros meses de Governo eram exageradas, imprudentes?", questionou Passos Coelho, na Curia, distrito de Aveiro, no encerramento da Universidade Europa.

 

Se eram, deve reconhece-lo e dizer aos portugueses que muitas das decisões que tomou ao reverter medidas estruturais importantes que tinham sido feitas nos últimos anos e que não tinham nada que ver com austeridade (...) não correspondeu à decisão adequada"

Na sua intervenção de mais de 45 minutos, na "aula" final da iniciativa promovida pelo PSD, JSD, Instituto Francisco Sá Carneiro e Partido Popular Europeu (PPE), Passos Coelho defendeu que o Governo "deve interromper as reversões que tem vindo a fazer, cada vez mais às escondidas para que não se repare que elas estão a ser feitas" na educação, no ambiente e nas empresas publicas.

Mas deve também dizer com clareza aos portugueses qual é então o caminho que pode seguir, para que a maioria que hoje governa o país possa, em vez de criar expectativas negativas sobre o futuro, dizer aos portugueses aquilo com que eles podem contar".

Passos Coelho argumentou, a esse propósito, que os portugueses "são adultos e vivem bem com a verdade. O que não vivem bem é com a ilusão, com a prestidigitação, com os números de circo em que de repente tudo vai bem e numa semana, como aconteceu há cinco anos atrás, o mundo muda e tudo passa a ser pior".

Exige-se mais sentido de responsabilidade e de futuro à maioria que nos governa e exige-se que possam falar aos portugueses de uma forma verdadeira e que indique com clareza qual é o caminho que se vai seguir"

Sobre a questão das 'offshores', Pedro Passos Coelho afirma ser necessária uma resposta à escala europeia e que o PSD vai apresentar uma recomendação ao Governo para um "tratamento mais forte" contra paraísos fiscais, para obrigar que os países tenham, dentro do espaço europeu, "uma comunicação mais limpa, mais harmoniosa" sobre o que significam e como deve ser feito o controlo sobre os paraísos ficais.

Só vemos que ele possa ser exercido por autoridades financeiras e neste caso pelo próprio Banco Central Europeu (BCE), sobre a relação entre o sistema financeiro europeu e essas praças que têm regimes fiscais muitíssimo mais favoráveis", disse.

Passos Coelho lembrou ainda que Portugal, nos últimos anos, cumpriu "uma política bastante prudente" sobre a matéria das 'offshores'.

Mantivemos, ao contrário de outros países europeus, na categoria de paraísos fiscais algumas destas 'offshores' que têm vindo a ser noticia por más razões". O que significa que as autoridades tributárias em Portugal "não facilitaram a vida".

"Mas evidentemente precisamos de uma resposta à escala europeia", reafirmou.