É uma nuance no discurso do líder da coligação Portugal à Frente e num pavilhão de desportos, em Coimbra, Passos Coelho seguiu a metáfora... desportiva: “Esta eleição não é uma desforra para mim e para o doutor Paulo Portas sobre ninguém; nem tem de ser transformada numa desforra para quem disse que este não era o caminho e agora não quer admitir que estava errado. Isto não é um problema entre políticos, O problema é para o país”.

Sem nomear o adversário – que a reta final da campanha trouxe um tom mais amável aos discursos da coligação sem ataques ao candidato socialista – Passos pediu aos portugueses que se "unam em torno de um governo, e de uma direção, não para dar satisfação aos políticos, mas para oferecer um futuro mais ambicioso para Portugal”.

Mas atenção, diz: "Não andamos a fazer promessas de última hora, nem andamos  desembestados  a atacar toda a gente, pelo contrário, tentamos falar com todos os portugueses".

A palavra usada não é alheia aos ataques que Passos Coelho diz serem "normais" na reta final, que fazem parte do "picante das campanhas", e que acabaram por marcar o dia da coligação e dos restantes partidos políticos, que se desdobraram em reações às contas do BPN.

Com ou sem ataques, a ideia é a mesma: 
a coligação está “disponível para falar com todos, para fazer compromissos, para que o país possa andar para a frente”.

De novo, ao comício, volta o tema da maioria, presente em todas as intervenções – e que não é taxativamente absoluta, mas quase: “Se o país não quer falhar nos próximos quatro anos não nos deve dar menos condições do que nos deu para que as coisas continuem a dar certo”.

“E é isso que peço humildemente a todos os portugueses”, uma maioria no Parlamento, disse, pensando com certeza nos indecisos que continuam, segundo as sondagens, em valores a rondar os 20%.


  Voltado para os apoiantes, e para a “grande mobilização” que tem demonstrado em campanha - em Coimbra, nem todos tiveram lugar e acabaram nas bancadas do pavilhão -, o líder da coligação deixa um pedido similar ao de Portas, que apela aos militantes que convençam os indecisos: “É importante que o vosso entusiasmo consiga contagiar Portugal e mobilizar os portugueses” para a eleição do dia 4 de outubro.

Como mobilizou Marques Mendes, que se juntou à caravana no distrito de Coimbra e é o primeiro antigo líder do PSD a discursar num comício da coligação, alterando o normal figurino das intervenções da noite: “Também ele se reconciliou com o queremos para o futuro e isso sabe-nos bem”, confidenciou Passos Coelho.