O BE acusou hoje o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, de usar a xenofobia como "estratégia de sobrevivência", argumentando que as suas críticas à lei da imigração são uma aposta no preconceito e ataque aos mais fracos.

"Perante a ausência de políticas alternativas, perante a ausência de uma proposta que possa mobilizar os portugueses e as portuguesas, como a única proposta de Passos Coelho continua a ser o programa da ‘troika’, ensaiou um discurso que não é habitual e que vai ao encontro de posições xenófobas recentes, que o próprio Passos Coelho disse não fazerem parte da tradição do PSD", acusou Joana Mortágua, aos jornalistas, no parlamento.

Referindo-se ao discurso da ‘rentrée’ política social-democrata, no Pontal, no domingo, a dirigente e deputada do Bloco sublinhou que "o líder do PSD escolheu começar o ano [político] a dizer que, em Portugal, não entra qualquer um".

Esta ideia sobre novas regras de imigração, que são bastante razoáveis, tem como único objetivo, depois de todos os argumentos perdidos, apostar no preconceito, no ataque aos mais fracos, como estratégia de sobrevivência", afirmou Joana Mortágua.

Para o BE, "as saudades da ‘troika’" não permitem a Passos Coelho "fazer muito mais", colocando no mesmo plano as afirmações do líder social-democrata sobre o sistema de comunicações SIRESP, considerando que faz "arremesso de tragédias como arma política".

Passos Coelho acusou o Governo de fazer uma cedência ao "radicalismo de esquerda" com uma alteração "à lei de estrangeiros, que na prática, permite que qualquer pessoa possa ter autorização de residência em Portugal desde que arranje uma promessa" de contrato de trabalho.

"Uma promessa, reparem bem, de poder ter um contrato de trabalho", disse, declarando ainda que, segundo essas modificações "o Estado deixará de ter condições para simplesmente expulsar alguém que possa, sendo imigrante, ter cometido crimes graves contra a própria sociedade portuguesa".

Este foi o Governo que aprovou estas alterações. Porque é que não discutem na sociedade portuguesa as implicações que para a segurança do país a médio e longo prazo isso pode trazer? Da mesma maneira pergunto: o que é que vai acontecer ao país seguro que temos sido se esta nova forma de ver, a possibilidade de qualquer um residir em Portugal, se mantiver?"

Passos Coelho afirmou que, por seu turno, "o PSD se mantém como um partido que não cede à facilidade, que não cede à demagogia, que não cede ao radicalismo".

PS fala em “discurso racista e xenófobo” com alterações legislativas inventadas

Também o porta-voz do PS, João Galamba, acusou Pedro Passos Coelho, de ensaiar "um discurso racista e xenófobo" ao fazer uma "denúncia mentirosa" de alterações à lei da imigração que transpõem uma diretiva comunitária.

Pela primeira vez em muitos anos tivemos em Portugal um líder político e o líder político do maior partido da oposição, a ensaiar um discurso racista e xenófobo, à semelhança do que vemos noutros países, em França, nos Estados Unidos", defendeu João Galamba, aos jornalistas no parlamento, reagindo a propósito do discurso do líder do PSD no domingo, durante a Festa do Pontal, em Quarteira, que marcou a "rentrée" política do partido.

O dirigente e deputado socialista acentuou que se trata de "uma denúncia mentirosa sobre alterações à lei que não existiram", tratando-se somente de uma "transposição de uma diretiva europeia, totalmente em linha com o direito europeu".

Não só o PSD e Pedro Passos Coelho inventaram alterações legislativas que não existiram, como aproveitaram essa invenção para ensaiar um discurso que não tem lugar em Portugal e que deve ser severamente censurado", sublinhou.

Galamba atribuiu ao "puro desespero e desorientação" as críticas de Passos Coelho a alterações à lei da imigração, e disse que estas mostram, afinal, que as declarações do candidato autárquico do PSD em Loures, André Ventura, foram "um balão de ensaio para um discurso nacional".

Se PSD governasse estaria a discutir-se cortes e não aumentos

O PCP disse esta segunda-feira que se o PSD estivesse no Governo o país estaria a discutir um corte nas pensões em vez de um aumento, numa resposta aos sociais-democratas que consideraram a atualização extraordinária em agosto uma medida eleitoralista.

A grande diferença entre a posição do PCP sobre as pensões e a posição do PSD não é da data do aumento das pensões, é que se o Governo PSD estivesse em funções, tal como tinha no seu próprio programa, aquilo que se estaria a discutir hoje não era um aumento das pensões, era um corte de 600 milhões”, disse Vasco Cardoso da Comissão Política comunista, em resposta a questões dos jornalistas na sede nacional do partido, em Lisboa.

O PCP lembrou sempre se bateu pelo aumento extraordinário das pensões e para que esse aumento fosse concretizado em 01 de janeiro de 2017.