O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse este sábado esperar que o Governo grego «respeite as medidas» da moeda única e da União Europeia e apontou que a Grécia gozou dentro da «casa europeia» de solidariedade e «alguma excecionalidade».

«Não quero fazer qualquer tipo de julgamento de mérito sobre as intenções do Governo [grego]. Quero apenas recordar que as regras existem para todos e têm de ser claras para todos», disse o primeiro-ministro.

Convidado a fazer um comentário às declarações do ministro das Finanças grego, Yanis Varoukakis que disse não reconhecer a troika como interlocutora válida, Passos Coelho não quis falar diretamente destas afirmações, mas vincou que «todos têm de respeitar as regras que existem na sua casa».

«Todos precisamos de respeitar as regras que existem dentro da nossa casa que é a casa europeia. E nessa medida eu espero que o Governo grego respeite as medidas quer da moeda única, quer da União Europeia. No dia em que não respeitarmos as nossas regras, não podemos viver na mesma casa comum», disse Pedro Passos Coelho.

«Singular» foi como Passos Coelho adjetivou o caso grego, apontando que «muitas soluções adotadas à escala europeia» foram «soluções muito particulares no que toca à Grécia».

«E portanto não é com certeza por falta de solidariedade nem de alguma excecionalidade que a Grécia não teve até hoje mais sucesso do que outros países», disse Passos Coelho.

O Governo português está «interessado», sublinhou o governante, em que «a Grécia resolva os seus problemas da melhor forma possível», uma vez que ambos os Estados são, acrescentou, «parceiros do mesmo projeto que é o projeto europeu» e da mesma moeda, o Euro.

«Aquilo que se passa noutros países afeta-nos evidentemente como aquilo que se passou em Portugal afetou outros países. Temos o dever de cooperação e de colaboração», disse Passos Coelho.

O primeiro-ministro falava à margem de uma visita à Associação Empresarial do Baixo Ave (AEBA), na Trofa e antes de marcar presença, na Maia, num jantar de homenagem ao presidente da câmara local, Bragança Fernandes, autarca social-democrata do distrito do Porto que cumpre 25 anos de Poder Local.