O primeiro-ministro espera que sejam tomadas novas medidas em Conselho Europeu extraordinário, possivelmente esta semana, para evitar tragédias no Mediterrâneo como o naufrágio deste fim de semana que provocou mais de 700 mortos.

«Teremos, muito provavelmente, esta semana, a ocasião de reunir ao nível do Conselho Europeu de forma extraordinária para analisar esta situação e para, muito provavelmente, tomar novas medidas», declarou Pedro Passos Coelho, considerando que «ninguém com certeza convocaria uma reunião para fazer uma mera reflexão» e que «alguma decisão há de ser tomada».

Em conferência de imprensa, no final da XII Cimeira Luso-Marroquina, em Lisboa, o primeiro-ministro português defendeu que a União Europeia deve tratar «esta questão da imigração ilegal» como «um problema de todos» os Estados-membros.
 

«Isso significa, portanto, que os meios que estão à disposição para evitar estas tragédias possam ser reforçados».


Questionado sobre possíveis novas medidas, Passos Coelho não quis antecipar-se à referida reunião extraordinária do Conselho Europeu, mas reiterou que conta com a sua realização e que dela resultem decisões.
 

«Calculo que seja importante intensificar todo o apoio humanitário. E, na medida em que estejamos a atuar sobre as consequências, e não sobre as causas, não deixa de ter relevância que os países europeus no seu conjunto tratem esta questão da imigração ilegal não apenas como um problema dos países que fazem a fronteira sul mediterrânica - isto é, no essencial, até esta data, de Espanha, de Itália, de Malta, pontualmente também de França -, mas como um problema de todos».


Já o primeiro-ministro de Marrocos, Abdelilah Benkirane, disse ser necessária mais justiça entre as duas margens do Mediterrâneo para abordar o problema da imigração ilegal.
 

«A abordagem securitária não é suficiente. É preciso justiça entre as duas margens do Mediterrâneo».


Abdelilah Benkirane considerou ainda que o diálogo entre as duas margens do Mediterrâneo, em particular no âmbito da iniciativa 5+5, que junta cinco países europeus e cinco africanos da orla mediterrânica, e atualmente presidida por Portugal e Marrocos, vai «produzir frutos», mas disse que os imigrantes que se dirigem para a Europa, «um povo do nosso continente», e o conjunto da região, também têm direto «à paz, à estabilidade e ao conforto».