Em jeito de esclarecimento, o candidato da coligação Portugal à Frente falou esta segunda-feira, aos jornalistas, sobre as insinuações da noite passada: em Torres Vedras, num jantar-comício, o primeiro-ministro falou num "silêncio muito ensurdecedor", sem esclarecer quem está calado. Mas naquele momento, o tema da intervenção era o BES, o colapso do Banco Espírito Santo, e o facto de Passos Coelho não se arrepender - "nem por um segundo" - de não ter pedido à Caixa Geral de Depósitos que salvasse a instituição financeira.

"O Estado teria transformado o país num país de lesados do GES", disse, depois de na tarde de sábado, no Cadaval, ter recebido três dos cerca de dez clientes de papel comercial, que se manifestavam à porta do local onde Passos Coelho reuniu com associações de agricultores do Oeste.

Mas quando em Torres Vedras parecia insinuar tácitos silêncios, Passos Coelho queria afinal referir-se, de novo, à segurança social, tema batido desde a pré-campanha a partir do último frente-a-frente entre António Costa e Passos Coelho. "Nós já iremos hoje para o quinto dia sobre o debate e continuamos a não ter um esclarecimento do líder do maior partido da oposição quanto à forma como está a prever a introdução de condição de recursos para as prestações solidárias. Todos os dias temos chamado a atenção para esse problema e todos os dias há um silêncio que é, de facto, ensurdecedor", afirmou Pedro Passos Coelho, quando questionado especificamente sobre a que se referia no domingo à noite.

 
Confrontado com o facto de ter referido esses "silêncios ensurdecedores" num passo da sua intervenção em que estava a falar do BES e da necessidade de se acabar com privilégios, o candidato da coligação respondeu que estava a rematar uma intervenção sobre a "independência do Estado", nomeadamente dos grupos económicos, e sobre a importância das grandes reformas, sobretudo a da Segurança Social, e que o silêncio a que se referia "tem a ver com as duas coisas"