O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, disse este domingo que participa na marcha republicana em Paris numa «manifestação de coesão e convicção democrática».

«É significativo que os chefes de Estado e de Governo, presidentes de parlamentos de países europeus e não apenas de países europeus, tenham querido associar com simplicidade mas com profundidade nesta manifestação de coesão e convicção democrática», disse Pedro Passos Coelho cerca de uma hora antes do início da «marcha republicana», esta tarde, em Paris.

Pedro Passos Coelho falava na Embaixada de Portugal em Paris, e disse que a sua participação pretende «dar expressão a todos aqueles portugueses que neste momento são também solidários com a tragédia que se passou em Paris».

Para o primeiro-ministro, trata-se «no fundo um atentado contra os fundamentos da liberdade, dos valores que estão na base da construção democrática».

«Nós precisamos – aqueles que têm responsabilidades maiores, responsabilidades de Governo, nos parlamentos – de articular melhor as nossas políticas que defendam a nossa democracia, mantendo a diferença - para aqueles que a não compreendem -respondendo de uma forma tolerante e aberta, democrática e livre, sem ceder à tentação de responder com armas parecidas que não são as nossas e que nós nunca quereremos usar», declarou.

O chefe do Governo português acrescentou que se trata de «uma manifestação simples, pacífica, mas de grande força e de grande coesão entre todos aqueles que são obreiros - pelo mundo todo, mas também pela Europa - de uma sociedade que se quer continuadamente mais livre, mais democrática, mais solidária, mais fraterna».

«Aqueles que estão contra esta maneira de estar encontrarão do nosso lado uma grande convicção na forma como defendemos estes valores», avisou.

O primeiro-ministro encontra-se acompanhado pela presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, que sublinhou a presença de «alguns deputados portugueses» na manifestação de hoje «representando todos os portugueses».

Assunção Esteves disse que Paris viveu «um momento que faz refletir a todos», sublinhando que é  «um momento que faz dar as mãos» e que a capital francesa «por ironia das coisas fez a revolução que deu ao mundo a proclamação da liberdade, igualdade e fraternidade».

«É para reafirmar esses valores em pensamento e, sobretudo, em ato que aqui estamos», concluiu.

Além do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, a representar Portugal estão o presidente do Conselho Nacional do CDS, Telmo Correia, os deputados eleitos pela Emigração Paulo Pisco (PS) e Carlos Alberto Gonçalves (PSD) e também o ex-dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã.

A manifestação foi convocada na sequência do atentado contra o jornal satírico 'Charlie Hebdo', na quarta-feira, o qual provocou a morte de 12 pessoas.

Além da generalidade dos políticos, figuras públicas, intelectuais e líderes religiosos franceses, a 'marcha republicana' conta ainda com a participação de cerca de 50 dirigentes internacionais, como o presidente da Autoridade Palestiniana Mahmud Abbas, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu,o rei da Jordânia Abdallah II e a rainha Rania.

Também marcarão presença o procurador- geral e responsável pela pasta da Justiça norte-americana, Eric Holder, os chefes do Governo da Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido e Turquia, o presidente da Comissão Europeia, o presidente do Conselho Europeu, e representantes governamentais da Rússia e do Egito, entre muitos outros.