Dia de Conselho Europeu, com o tema das migrações à cabeça, mas era inevitável que, no final, Passos Coelho fosse questionado sobre se a situação política em Portugal teria sido abordada. Não esteve em agenda, houve só contactos e "felicitações" bilaterais pela vitória da coligação nas legislativas. E detetou-se no ar receio da composição do próximo governo e seus reflexos nos mercados? Ainda para mais sem haver ainda um Orçamento, hoje que deveria ter sido entregue estivesse Portugal em situações normais?

"Não há nenhuma razão para que Portugal não cumpra obrigações na União Europeia e na zona euro, nessa medida, a menos de alguma alteração que deixe subentendida a vontade de não cumprir e descontinuar o esforço realizado em todos estes anos. Não vejo razão para preocupação sobre essa matéria"

Fácil de subentender, pelas suas declarações, que estará a falar do cenário de um governo de esquerda com PCP e Bloco, que têm nos seus programas políticos objeções quanto à União Europeia e à descontinuidade da austeridade. 

Passos Coelho disse aos jornalistas que o suspense é inerente ao processo eleitoral e à democracia. "O que pode trazer mais incerteza ou certeza não te a ver com democracia funcionar mas com opções inerentes às escolhas de política que governos assumem. Espero que nos próximos anos portugal não seja penalizado por incertezas nessa matéria e mantenha as condições para a recuperação económica", reforçou.

Como já tinha sido anunciado pela ministra das Finanças, Portugal não apresentou qualquer esboço orçamental ao Conselho Europeu, hoje que seria o dia em que a proposta de OE2015 deveria, em condições normais, ter sido entregue na Assembleia da República. E também vai falhar no Eurogrupo da próxima sexta-feira.

Quanto a isto, Passos apontou implicitamente responsabilidades ao Presidente da República, que ainda não indigitou Governo. E, de qualquer modo, esse draft deve ser, por regra, apresentado com um mês de antecedência à Comissão Europeia. Impossível de concretizar nas circunstâncias atuais. 

"É um período de transição, em que um novo governo será formado muito em breve e não faria sentido que o governo que está de saída aprovasse um draft de orçamento que não vai fazer. Não vou apontar um calendário porque não tenho condições para o fazer. O calendário não depende de mim"


Depende da celeridade da decisão de Cavaco Silva quanto ao novo Governo, sendo que o chefe de Estado vai reunir-se com os partidos políticos nas próximas terça e quarta-feira, conforme recordou o próprio Passos Coelho. 

O primeiro-ministro ainda em representação de Portugal deu conta que não interveio no Conselho Europeu para falar das legislativas, mas na reunião do PPE foi "felicitado" pelo resultado das eleições. Aos jornalistas, afirmou que é natural a "curiosidade" entre os pares europeus em saber o que se passa em Portugal, tendo trocado "impressões" com colegas do PPE "e não só".