O primeiro-ministro destacou, nesta terça-feira, a existência no país de uma “malha coesa e disseminada de instituições de solidariedade social”, salientando o seu papel na sociedade portuguesa.

“Queria fazer duas referências que têm que ver com o facto de termos em Portugal uma malha extraordinariamente coesa e, ao mesmo tempo, disseminada de instituições de solidariedade social que ajudam em muito aquilo que é a concretização das preocupações que um Estado moderno e um Estado desenvolvido deve ter na área social”, afirmou Pedro Passos Coelho.

O chefe do Executivo discursava na inauguração das novas instalações do Centro de Reabilitação e Integração de Ourém (CRIO), no distrito de Santarém, instituição de apoio a pessoas com deficiência mental, investimento de 2,2 milhões de euros.

Apontando o trabalho centenário das misericórdias, Passos realçou que, ao lado destas, “há muitos anos que se vieram a estabelecer e a criar raízes também muitas outras instituições que têm a mesma preocupação e que procuram canalizar a dádiva, a entrega voluntária de muitos na sociedade em favor daqueles que são mais carenciados”.

O primeiro-ministro considerou ainda ser “muito importante” haver um “bom entendimento e entrosamento” com estas instituições, pois “não faria sentido apenas por uma questão de preconceito que dispondo de uma rede tão importante (…) o Estado na sua missão não se apoiasse fortemente nestas instituições”.

Pedro Passos Coelho adiantou, contudo, que “os apoios são limitados”, pelo que não se pode fazer tudo, mas defendeu que, dentro das escolhas, o Governo continua a concentrar o essencial da despesa pública e dos recursos humanos na área social.

“Não creio que haja uma divergência significativa quanto à necessidade de darmos prioridade a estas áreas”, considerou, notando que não basta haver sensibilidade para os problemas, é preciso também que possam ter meios para lhes responder.

“Ou conseguimos pôr a nossa economia a crescer devidamente para financiar a área social ou teremos muita sensibilidade social, mas menos respostas do que aquelas que são necessárias”, advertiu.

Na cerimónia, o presidente do CRIO, Mário Albuquerque, deixou um “reparo dirigido aos serviços da EDP, sempre extremamente distantes, morosos e imprevisíveis” com “burocracias que ainda não permitiram que a baixada definitiva do empreendimento esteja realizada como devia, apesar de há mais de três meses requisitada e paga”.

“Entraves talvez evitáveis que são bastante constrangedores e até desmotivadores do trabalho de quem, de forma generosa e voluntária, se encontra no terreno”, declarou Mário Albuquerque, que informou o primeiro-ministro da “mais instante necessidade” do CRIO, uma carrinha que “possa colmatar as debilidades existentes”.

Passos Coelho disse esperar que “a EDP se despache relativamente à instalação” necessária, referindo o trabalho da fundação associada à elétrica na área social.