O presidente do Governo de Espanha, Mariano Rajoy, afirmou hoje que viaja hoje com Pedro Passos Coelho para Bruxelas para tentar chegar a um acordo com a Grécia que defenda "a sensatez", mas também o cumprimento dos compromissos.

"Exemplo da estreita colaboração é o facto de eu e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho nos deslocarmos juntos, já a seguir, para Bruxelas para tentar defender a sensatez, o sentido comum, a lógica, a razão e o interesse geral dos cidadãos de Grécia e de todos os Europeus", disse Mariano Rajoy na conferência de imprensa que fechou a 28.ª Cimeira Iberica.


De acordo com o chefe do Governo espanhol, Portugal e Espanha e os restantes países da Zona Euro vão "tentar chegar a um acordo quanto a ao programa de resgate da economia grega".

"Não quero antecipar-me, mas apenas direi duas coisas: não chegar a acordo seria mau, muito mau, para o povo grego. E segundo: a Espanha foi e será sempre solidária com a Grécia", alertou Rajoy.

"Mas da mesma forma que vos digo isto, digo-vos que neste assunto, como em todos, diálogo sim, mas cumprimento das regras e dos compromissos também. Como todos os outros", contrapôs o presidente do Governo espanhol.

Já o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse esperar que seja possível encontrar uma solução que funcione quer para a Grécia quer para toda a zona Euro, enfatizando a flexibilidade da União Europeia para tratar a questão grega.

Na conferência de imprensa final conjunta da 28.ª Cimeira Luso-Espanhola, que decorre hoje em Baiona, Espanha, Pedro Passos Coelho escusou-se a fazer qualquer comentário sobre a última proposta apresentada pelo Governo grego uma vez que não a conhece, esperando que "seja possível encontrar uma solução que funcione para a Grécia e que funcione para toda a zona Euro".

O primeiro-ministro sublinhou que a União Europeia "tem mostrado muita flexibilidade a tratar da questão grega", não temendo de uma forma equivalente à de 2010 qualquer contágio de ordem financeira, mas alertando que o possível contágio político do problema grego deve ser acautelado.


Cada um tem de fazer o seu trabalho "de casa"


Passos Coelho considerou ainda que a Europa não vai resistir a crises futuras se cada um não fizer o seu trabalho de casa.  

"Nós não conseguiremos resistir a crises futuras se cada um não fizer aquilo que tem que fazer em sua casa, no seu país. O princípio da responsabilidade nacional é primacial no processo de construção europeia", assinalou. 

Mais: "Uma vez que os países que estão dentro da zona Euro estão privados de outros instrumentos de política económica e financeira, porque partilham a mesma moeda, se não beneficiarem de um princípio de responsabilidade comum, de responsabilidade europeia, então todos os problemas que possam vir a existir no futuro, bem como o legado que temos hoje do passado, serão resolvidos apenas com um esforço que acaba por resultar em divergência económica dentro da zona euro e não num esforço de convergência".

Segundo o primeiro-ministro, "essa é a razão pela qual o Governo português tem pugnado para que tenhamos verdadeiramente uma união bancária a funcionar mais depressa do que o que está previsto e com um braço do lado da estabilidade da garantia de depósitos que ainda não existe".