O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, defende que Portugal é um parceiro natural de Moçambique e recordou que cada milhão de dólares que as empresas portuguesas investem no país resulta em 55 novos postos de trabalho.

Passos Coelho falava num seminário económico que se realizou na capital moçambicana, Maputo, em que também interveio o Presidente de Moçambique, Armando Emílio Guebuza.

Ambos expressaram o desejo de que as relações económicas «atinjam o mesmo nível» das relações políticas e diplomáticas entre os dois países.

No encontro, Passo Coelho desafiou os empresários dos dois países «a apostarem com realismo» nas oportunidades que se abrem em cada um deles, e recordou o peso de Portugal na economia moçambicana.

No último ano, disse, Moçambique aprovou 168 projectos de investimento direto português, no valor de 172 milhões de euros, de que resultaram 9500 novos postos de trabalho, mais do dobro do que os registados em 2012.

«Portugal continua a ser o país com maior número de projetos aprovados e que geram mais postos de trabalho», recordou o primeiro-ministro.

«Por cada milhão de dólares que a empresas portuguesas investem em Moçambique são gerados 55 postos de trabalho», acrescentou.

Passos Coelho apelou para a constituição de «parcerias com espírito genuíno» por empresários dos dois países.

«As parcerias não podem ser desconfiadas», sublinhou.

O Presidente moçambicano prosseguiu esse desejo, exigindo «respeito mútuo para ganhos mútuos» e recordou que, nos últimos seis anos, Portugal investiu de mil milhões de dólares em Moçambique.

Guebuza aconselhou a agricultura, a produção de alimentos e as energias novas e renováveis como setores em que as empresas portuguesas podem investir, associadas a empresários locais.

«Incentivamos a constituição de parcerias para exploração das múltiplas oportunidades de negócio», disse Armando Guebuza.

Portugal vai desembolsar 400 mil euros de apoio direto ao Orçamento do Estado moçambicano, de entre cerca de 134 milhões de euros que vai desembolsar para a cooperação com este país, disse à Lusa fonte diplomática.

O apoio foi acordado durante a II cimeira Moçambique-Portugal que decorreu na quarta-feira em Maputo.

Portugal é um dos 19 países e instituições internacionais que contribuem diretamente para o Orçamento do Estado de Moçambique

No entanto, a crise financeira internacional e operações polémicas do Governo de Moçambique, como a compra de uma frota de atuneiros através de um empréstimo de 850 milhões de dólares, levaram alguns parceiros a suspender o apoio e outros a adiar a sua decisão.

Na II Cimeira Portugal concedeu ainda a Moçambique 27 milhões de euros, relativos ao remanescente de uma linha de crédito de 300 milhões de euros, assinada ainda pelo anterior governo socialista.

Foram ainda concedidos 94 milhões de euros, relativos ao Investimoz, Fundo Português de Apoio ao Investimento em Moçambique, criado, em 2010, para promover o apoio ao investimento em Moçambique por parte de empresas portuguesas ou luso-moçambicanas, e cerca de 10 milhões de euros do Fecop, um fundo empresarial da cooperação portuguesa.

No total, o apoio saído da II cimeira ronda os 134 milhões de euros, um valor descrito na quarta-feira pelo primeiro-ministro português, Passos Coelho, como «uma prova de mais absoluta confiança no futuro de Moçambique e na governação das autoridades moçambicanas em prol do seu povo».