O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu este domingo ser «um abuso» usar a situação da Grécia para repensar toda a Europa que, disse, tem progredido muito mas tem de criar novos mecanismos de desenvolvimento.

«Há quem queira usar a situação da Grécia para repensar toda a Europa. Eu julgo que é um abuso porque a Europa tem progredido muito, temos conseguido ser todos muito solidários, mas os problemas que ainda temos estão para além dos problemas que a Grécia ainda tem para resolver como o fim do programa da assistência», frisou.

O governante espera que gregos consigam, também com a ajuda de Portugal, ultrapassar as dificuldades, mas considera que não se deve atribuir à Europa todos os problemas da Grécia.

«Nós ultrapassámos as nossas [dificuldades], os irlandeses também ultrapassaram, a Espanha também, a Grécia ainda não conseguiu e, como no passado, cá estaremos todos para ajudar a Grécia a resolver os seus problemas, mas não parece que os problemas da Grécia sejam os problemas que a Europa tem de resolver», frisou.

Destacou, contudo, que «a Europa ainda tem problemas», esperando que «não seja preciso mais uma grande crise» a nível europeu para que os seus mecanismos sejam melhorados, até porque «quem vive sob a mesma moeda precisa de uma grande articulação económica e financeira».

Passos Coelho falava durante a cerimónia de inauguração do novo Quartel dos Bombeiros Voluntários de Vale de Cambra, na Zona Industrial de Lordelo, um edifício com dois mil metros quadrados que acomodará um corpo de 106 elementos e 28 viaturas para servir mais de 22 mil pessoas espalhadas por 147 quilómetros.

Europa deve ajudar mas «não de qualquer maneira»

Pedro Passos Coelho acrescentou que a União Europeia «tem o dever»de ajudar a Grécia a ultrapassar os problemas, mas que não o pode fazer «de qualquer maneira».

«A Europa tem o dever e o interesse em ajudar a Grécia a ultrapassar os seus problemas, o que o não pode é fazer de qualquer maneira, o que não se pode dizer é que a Grécia é um problema da Europa, dos portugueses, dos espanhóis e dos franceses», afirmou Pedro Passos Coelho lembrando que, naquele país, não se está «a começar do zero» e que «já houve dois programas de assistência».

O governante destacou que a Grécia, «desde o início da crise da dívida soberana, foi sempre tratada como um caso singular» e que foi por isso que teve «soluções que não foram aplicadas a mais ninguém».

«Por exemplo, fez a reestruturação da dívida, nenhum outro país europeu reestruturou a sua dívida», salientou, acrescentando que «a Grécia dispõe de mais anos para pagar os empréstimos que recebeu, do que Portugal ou a Irlanda», e que teve «empréstimos bilaterais que outros países não tiveram, quando passaram por estes problemas».

Passos Coelho destacou ainda outras singularidades como o facto de Portugal doar àquele país cerca de 412 milhões de euros, França perto de 740 milhões e Espanha cerca de 200 milhões, o que «nenhum outro país teve».

«O que significa que, já no passado, dada a singularidade do caso grego, se adotaram soluções singulares e isso não é impossível de voltar a acontecer», afirmou o governante para quem «o que é importante é ter a noção de que há soluções que, quando encontradas, não podem deixar de valer para toda a gente».

Para o líder social-democrata, «há soluções que têm de ser transversais, mas pode haver soluções particulares», tal como as que Portugal e a Irlanda «acabaram por ter», em resultado da situação grega, e que foi uma menor taxa de juro dos empréstimos. «Também é verdade que a Grécia ainda hoje tem condições que mais nenhum outro país tem», sublinhou.