O presidente do PSD e primeiro-ministro considerou hoje que o Governo parece lutar sozinho contra a crise e apelou a que as divergências políticas sejam postas de lado e haja cooperação no plano nacional.

Pedro Passos Coelho retomou o tema da cooperação política durante uma homenagem a autarcas em final de mandato, em Alcanena, no distrito de Santarém, num discurso em que considerou que a nível local as diferentes forças políticas têm sabido cooperar.

«Nós precisamos também, em termos nacionais, de saber, muitas vezes, colocar as nossas diferenças de lado para poder apresentar decisões que representem um progresso para todos os cidadãos», afirmou.

Segundo o presidente do PSD, neste «período excecional» que Portugal atravessa, «em que o interesse nacional com certeza se sobrepõe aos olhos dos cidadãos de forma muito evidente às clivagens de natureza partidárias», a cooperação política é ainda mais importante.

«Isso não quer dizer que possamos pensar todos da mesma maneira, defender todos as mesmas coisas, mas é importante que saibamos, em circunstâncias especiais, colocar de lado as nossas divergências e encontrar um núcleo o mais alargado possível de matérias em torno das quais nos possamos entender», defendeu.

Passos Coelho sustentou, em seguida, que tem sido «crescentemente difícil encontrar disponibilidade, abertura, entre os partidos nacionais para poder obter uma cooperação como aquela que seria indispensável para o país».

O chefe do executivo PSD/CDS-PP alegou que, «infelizmente, muitas vezes, a quem está atento ao debate, parece que entre o Governo e a oposição há uma diferença tal», como «se vencer a crise fosse um bem para o Governo e um mal para a oposição».

Essa perceção tem de mudar, acrescentou: «A determinação do Governo em ultrapassar as dificuldades que enfrentamos não pode ser entendida nem pelos portugueses, nem por aqueles que nos observam a partir do exterior como uma espécie de determinação isolada a que o país resiste».

Passos Coelho formulou um voto de que «o debate político autárquico sirva para contagiar o debate nacional» e os agentes políticos portugueses surjam, «do ponto de vista coletivo, mais determinados em vencer a crise que vivemos do que muitas vezes parece a quem ouve o debate público».

«Espero sinceramente que esta experiência autárquica na qual o PSD tem uma quota de responsabilidade muito elevada do ponto de vista histórico possa nestas eleições autárquicas servir no plano nacional para uma concertação estratégica entre a generalidade dos representantes do povo, dos partidos e dos deputados, do que tem acontecido até agora», reforçou.

Ainda a propósito da cooperação política, o primeiro-ministro referiu que Portugal tem «um sistema constitucional equilibrado», acrescentando: «O Governo, o parlamento, o Presidente, a verificação de constitucionalidade que cabe ao Tribunal Constitucional, tudo isso são equilíbrios, que constituem a base do nosso sistema democrático, e ainda bem que é assim».

Por isso, prosseguiu Passos Coelho, «ninguém poderá arvorar nunca que tem toda a razão do seu lado e que a sua intervenção não deve ter limites, tem de haver limites democráticos para a ação dos governos, para a ação dos parlamentos, para a ação de outros órgãos para as autarquias locais, não pode ser de outra maneira».