O primeiro-ministro defendeu hoje que os erros devem ser «assumidos e corrigidos», quando detetados, garantindo que é o que está a ser feito com a colocação de docentes e com a plataforma informática do novo mapa judiciário.

Esta noite, no Porto, para a celebração dos 25 anos da Fundação de Serralves, Pedro Passos Coelho foi confrontado com as desculpas apresentadas pelos ministros da Educação e da Justiça e afirmou que os erros «não se apagam» e que deve haver «preocupação» em apurar responsabilidades, dando ainda conta de que o pedido de desculpas de Nuno Crato teve a sua «cobertura total».

Na quinta-feira, Nuno Crato pediu desculpa por um erro na fórmula matemática usada na colocação de professores, que afetou cerca de 2% dos docentes, um dia depois de Paula Teixeira da Cruz ter pedido desculpa pelos transtornos causados pelo não funcionamento da plataforma informática que sustenta o sistema judiciário.

«Os erros não se apagam, agora podem-se corrigir. Quando um erro é detetado, ele deve ser assumido e corrigido. Deve haver igualmente a preocupação de se apurarem as responsabilidades por esses erros», considerou Passos Coelho.

Mas, disse, referindo-se ao erro assumido pelo ministro da Educação, «convém sublinhar, foi um erro que afetou famílias, estudantes, escolas e professores mas que afetou menos de 2% dos professores que foram colocados».

Segundo explicou, esse erro resultou da soma de «alhos com bugalhos» que não deveria ter sido feita.

«Resultou do facto de que atribuindo o decreto-lei igual preponderância quer ao percurso profissional dos professores quer à avaliação das escolas desse professor, há um desvirtuamento dessa lógica na medida em que as escalas de classificação desses atributos são diferentes, é assim um pouco como estar a somar alhos com bugalhos», disse.

Para Passos Coelho, «foi muito correto» da parte de Nuno Crato o pedido de desculpa.

«Foi-me transmitida essa intenção e eu dei cobertura total para que o senhor ministro da Educação pudesse dizer que não íamos disfarçar o erro, fazer de conta que não tinha acontecido», revelou.

Quanto à situação na Justiça, o primeiro-ministro disse ser «natural» erros e estar convicto de que Paula Teixeira da Cruz estava certa de que o sistema informático estaria a funcionar.

«Tenho a certeza que a senhora ministra quando avançou com o mapa judiciário e precisava de disponibilizar a plataforma informática para as novas comarcas estava, com certeza, certa de que a plataforma iria corresponder positivamente, senão não o teria feito, como é evidente», defendeu.

O primeiro-ministro considerou que «é natural que possam existir pequenos erros, que algumas coisas não respondam tão bem como se desejaria», e salientou que «o importante agora é que isso possa ser corrigido tão depressa quanto possível».

Pedro Passos Coelho fez ainda questão de realçar que as dificuldades no funcionamento do sistema informático não afetaram os processos penais.

«É preciso não esquecer que aquilo que mais preocupa as pessoas, o processo penal, normalmente não corre em cima desta plataforma. O que significa que as principais preocupações em termos de responsabilidade criminal e penal não sofrem atrasos no caso de haver este inconveniente na acessibilidade à plataforma», afirmou.