O PS foi o terceiro partido a interpelar o primeiro-ministro, no debate quinzenal desta sexta-feira, depois de PCP e PSD. O seu líder parlamentar socialista passou imediatamente ao ataque acusando os sociais-democratas de estarem a fazer "propaganda" no Parlamento.

"Vamos fazer uma interrupção de 18 minutos nas conversas em família e na propaganda (...), um flop como há dois dias [quando a coligação PSD/CDS-PP apresentou as linhas gerais do seu programa eleitoral]. Garantias? Vá ao seu programa eleitoral de 2011 e hoje vem falar de garantias?"


Ferro Rodrigues disse que os desafios que o Governo "conseguiu ganhar como diz são os da emigração da probreza, do aumento da dívida pública" e que tem medo da alternativa que os socialistas apresentam no seu programa eleitoral. Passos Coelho repetiu cinco vezes que não tem "medo nenhum". 

"Medo da alternativa? Não há medo nenhum, senhor deputado. Não há medo nenhum. Aquilo que representa o conjunto de alternativas não agita (...). Aquilo que se passou em 2011 não é medo, é realidade. Aquilo que representa a estratégia económica do PS (...) e que conduziu ao resgate externo, não é uma ameaça vaga, é a realidade do país. Repetir a mesma política isso não pode ser ignorado. Não há medo nenhum, eu não tenho medo nenhum, nem inspiro medo nenhum"


O primeiro-ministro arrancou aplausos das bancadas do PSD e do CDS-PP, argumentando depois que as "garantias estão escoradas" nos resultados do trabalho do Governo. Quando divulgou assuas bases programátias, a coligação anexou uma carta de garantias aos portugueses. 

E voltou a evocar o passado, para atacar o PS: "Os senhores pensam que os portugueses estão agradecidos ao PS por ter deixado memorando e resgate não ter querido ficar com nenhuma das dores que tiveram de ser execudas", de terem ficado "de fora" das obrigações. 

O debate quinzenal ficou marcado por outro tema quente que está a marcar este clima de pré-campanha eleitoral: o futuro das pensões. Passos Coelho disse que é "precipitado" falar num corte de 600 milhões de euros. O que o Programa de Estabilidade prevê é um impacto "positivo" nessa ordem de grandeza, diz. E isso poderá ser feito tanto pelo lado da receita como pelo lado da despesa. Como? Isso ficou por saber. 

O PS pegou ainda em dois outros assuntos: questionou a parcialidade da escolha da responsável pelo relatório que a Inspeção Geral das Finanças fez à atuação da Autoridade Tributária no caso da lista VIP; e a recondução do Governador do Banco de Portugal, o que fez o chefe do atual Governo acusar o PS de ter "má memória", porque Carlos Costa foi nomeado pelo anterior Executivo.

Já sobre a Grécia, outro assunto na ordem do dia, o chefe de Governo criticou o rumo seguido por Atenas e disse que os gregos não podem querer uma "união económica à la carte".